Soja 26/27 entra em outubro entre excesso de chuva no Sul e umidade ainda irregular em Mato Grosso

Publicado em 04/10/2026 15:28 e atualizado em 04/10/2026 16:15
Paraná já registra paralisações, granizo e áreas com excesso de água, enquanto produtores mato-grossenses ainda dependem de maior regularidade das precipitações para ganhar ritmo na semeadura

A safra brasileira de soja 2026/27 entra em outubro com ritmos diferentes de plantio e problemas climáticos praticamente opostos entre algumas das principais regiões produtoras do país.

No Sul, especialmente no Paraná, o excesso de chuva já provocou interrupções na semeadura, episódios de granizo e dificuldades no estabelecimento inicial de algumas áreas. Em Mato Grosso, por outro lado, as precipitações melhoraram a condição de umidade em parte do estado, mas ainda apresentam distribuição irregular e mantêm produtores aguardando volumes mais consistentes antes de acelerar os trabalhos.

O contraste ajuda a explicar por que o avanço da safra ocorre de maneira tão desigual neste início de ciclo. Levantamento da AgRural divulgado no último domingo mostrou o Paraná isolado na dianteira do plantio nacional, enquanto Mato Grosso aparecia bem atrás justamente pela irregularidade das chuvas. Até 24 de setembro, 3,4% da área brasileira estimada estava semeada, contra 1,2% uma semana antes e 3,2% no mesmo período do ano passado.

Na atualização seguinte, divulgada pela Conab e publicada pelo Notícias Agrícolas, o plantio em Mato Grosso já havia acelerado para 3,9% após as chuvas permitirem avanço principalmente no Médio-Norte, Oeste e Sudeste. A própria previsão agrometeorológica, porém, ainda indicava risco de nova restrição hídrica em algumas áreas já implantadas.

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Paraná avança, mas excesso de chuva já cobra preço

No Paraná, o plantio chegou a 28% da área projetada até a atualização do Deral de 29 de setembro. Apesar do ritmo mais avançado, as primeiras lavouras já apresentavam situações distintas entre as regiões.

O departamento registrou atraso na germinação e menor velocidade de desenvolvimento em áreas atingidas por temperaturas mais baixas e excesso de nebulosidade. Também houve danos pontuais por granizo, enquanto a elevada umidade favoreceu a presença de plantas daninhas e aumentou a necessidade de manejo antes da semeadura.

Mesmo com esses problemas, todas as lavouras de soja acompanhadas pelo Deral naquele momento permaneciam classificadas em boas condições. O cenário de excesso de água, porém, já vinha aparecendo antes nos relatos de campo.

Em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, levantamento feito pelo Notícias Agrícolas em 15 de setembro mostrou um atraso de até 25 pontos percentuais no plantio. A região deveria estar com cerca de 35% da área semeada, mas apresentava avanço entre 10% e 15%, após vários dias perdidos por chuva e solos encharcados. A demora já colocava em discussão até a composição da segunda safra, com possibilidade de redução do milho safrinha em favor do feijão.

Em Goioerê, também no Paraná, chuvas intensas acompanhadas por granizo e ventos fortes interromperam temporariamente o plantio no fim de setembro.

Segundo Airton Gonçalves, presidente do Sindicato Rural do município, algumas áreas sofreram com excesso de água e com o chamado “lacramento” do solo, embora até aquele momento não houvesse relatos de necessidade de replantio. A preocupação permanecia voltada para novas chuvas e para a maior pressão de doenças ao longo do ciclo.

No Rio Grande do Sul, desafio é aproveitar as janelas

O excesso de umidade também aparece no Rio Grande do Sul, onde os produtores ainda estão em fase mais inicial de implantação da soja.

Em Carazinho, mais de 100 milímetros de chuva foram registrados em curto período e os produtores seguiam trabalhando na dessecação e no preparo das áreas. A expectativa regional era de início da semeadura entre 15 e 20 de outubro.

Com previsão de intervalos curtos entre novas precipitações, o cenário exige maior precisão para aproveitar as janelas de plantio sem entrar nas lavouras antes de o solo apresentar condições adequadas.

O aumento da umidade no Sul também reforça uma preocupação que acompanha a safra desde setembro: a possibilidade de maior pressão de doenças.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Rafael Soares, pesquisador da Embrapa Soja, destacou que condições mais úmidas podem favorecer problemas desde o estabelecimento inicial das plantas até doenças de parte aérea. A recomendação é intensificar o manejo preventivo e o monitoramento desde o início do ciclo.

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Em Mato Grosso, chuva melhora cenário, mas ainda falta regularidade

Se no Sul o problema é o excesso de água, em Mato Grosso o desafio continua sendo encontrar umidade suficiente e distribuída de forma regular para permitir avanço consistente da semeadura.

Em Nova Mutum, levantamento do Realidades da Safra mostrou no fim de setembro propriedades em situações muito diferentes mesmo a poucos quilômetros de distância. Algumas áreas já acumulavam umidade suficiente para o plantio, enquanto outras ainda aguardavam chuvas melhores.

Paulo Zen, presidente do Sindicato Rural do município, relatou que muitos produtores ainda não haviam iniciado a semeadura e esperavam precipitações mais generalizadas no começo de outubro. A demora também começa a apertar a janela para o milho de segunda safra, especialmente para quem empurrar o plantio da soja para depois da metade do mês.

Dados divulgados pela EarthDaily nesta semana mostram que a situação melhorou em parte do Centro-Oeste, mas permanece heterogênea.

Entre 22 de setembro e 1º de outubro, Mato Grosso do Sul e áreas de Mato Grosso e Goiás receberam volumes acima da média, favorecendo a recuperação da umidade do solo. Outras regiões de Mato Grosso e Goiás, porém, registraram precipitações menores.

No caso mato-grossense, a empresa projeta recuperação rápida da umidade no início de outubro, mas com possibilidade de novo recuo nos dias seguintes, o que mantém a necessidade de chuvas frequentes para sustentar o avanço do plantio.

Outubro tende a manter diferenças regionais

A previsão mensal do Instituto Nacional de Meteorologia reforça a possibilidade de continuidade desse contraste ao longo de outubro.

O Sul aparece com tendência de chuva acima da média histórica, enquanto áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem registrar volumes abaixo do normal. No Rio Grande do Sul, os desvios positivos podem chegar a 200 milímetros em partes do oeste do estado. 

Para a soja 2026/27, isso significa que o início de outubro deve continuar exigindo decisões diferentes conforme a região.

No Sul, a prioridade será aproveitar períodos de tempo firme sem comprometer a implantação em solos excessivamente úmidos e acompanhar os impactos sobre germinação, desenvolvimento e doenças. Já em Mato Grosso e outras áreas do Centro-Oeste, o ritmo da semeadura continuará condicionado à regularidade das precipitações e à recuperação efetiva da umidade do solo.

Fonte: Notícias Agrícolas

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