Chuvas deixam plantio da soja até 25 pontos percentuais atrasado em Pato Branco/PR e podem tirar área do milho safrinha
Chuvas deixam plantio da soja até 25 pontos percentuais atrasado em Pato Branco/PR e podem tirar área do milho safrinha
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O excesso de chuvas registrado nos últimos dias já provoca atraso no plantio da soja 2026/27 em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, e começa a colocar em discussão também a composição da segunda safra na região. Com a perda de dias de trabalho e solos encharcados, produtores avaliam reduzir a exposição ao milho safrinha e ampliar o espaço do feijão, cultura de ciclo mais curto e menor custo.
Segundo Luiz Parsianello, trader na Cerealista R. N. Perusso, em condições normais a região deveria ter entre 30% e 35% da soja já semeada neste momento. A estimativa atual, porém, fica entre 10% e 15%, uma diferença que pode chegar a 25 pontos percentuais.
Parsianello relata que muitos produtores pretendiam avançar justamente nesta semana, mas tiveram de interromper os trabalhos diante da sequência de precipitações. Em duas oportunidades recentes, os volumes de chuva superaram 150 milímetros na região.
Mesmo com uma eventual abertura do tempo, a combinação entre grande quantidade de água acumulada e temperaturas mais baixas deve dificultar uma retomada imediata das máquinas. O solo permanece muito encharcado e deverá precisar de mais tempo para permitir a semeadura.
O atraso já começa a repercutir sobre o planejamento da segunda safra. De acordo com o trader, produtores que inicialmente pretendiam cultivar milho após a soja já consideram outras alternativas caso a colheita da oleaginosa avance para fevereiro.
Na região, Parsianello avalia que o milho de segunda safra precisa ser implantado até aproximadamente 15 ou 20 de janeiro para preservar um melhor potencial produtivo. Depois dessa janela, a produtividade tende a cair e os riscos aumentam.
A experiência da última temporada também pesa nas decisões. Áreas de milho implantadas mais tarde foram mais afetadas pelas geadas registradas em maio e junho. Mesmo sem a ocorrência de geadas, o potencial produtivo do milho semeado em fevereiro já tende a ser inferior ao das áreas implantadas em janeiro.
Com custos de produção elevados, o produtor fica menos disposto a assumir esse risco. Nesse cenário, feijão e até soja de segunda safra aparecem como alternativas ao milho.
Para o feijão, além do ciclo mais curto, o cenário de preços é considerado remunerador e o custo de implantação é menor. Parsianello relata que já observa produtores inclinados a aumentar a participação da cultura em detrimento do milho.
A expectativa é de uma pequena redução da área de milho e avanço do feijão na região. O trader ressalta, porém, que Pato Branco não possui peso suficiente para determinar sozinho uma mudança relevante no cenário nacional do milho safrinha.
O excesso de umidade também afetou a implantação do milho verão. As primeiras áreas semeadas no final de agosto foram beneficiadas pelas chuvas, já que haviam sido implantadas em um período de menor disponibilidade de água. Os plantios seguintes, porém, encontraram volumes mais elevados de precipitação e temperaturas que chegaram a 5°C e 6°C, prejudicando principalmente a emergência das plantas.
Parsianello estima que, neste momento, o milho verão já deveria estar com 100% da área semeada em Pato Branco. Os trabalhos, entretanto, estão próximos de 80%, deixando cerca de 20% ainda por implantar.
TRIGO TAMBÉM SENTE EXCESSO DE UMIDADE
As condições climáticas também mantêm atenção sobre as lavouras de trigo da região. Segundo Parsianello, a área cultivada com o cereal em Pato Branco caiu aproximadamente 30% nesta temporada, depois de já ter recuado cerca de 35% no ciclo anterior.
Mesmo com lavouras visualmente em boas condições, relatos de produtores apontam aumento da pressão de doenças. Há áreas já prontas para a colheita, e a continuidade das chuvas pode reduzir o potencial produtivo.
A avaliação relatada pelo trader é de que a produtividade regional tende a ficar semelhante ou ligeiramente abaixo da registrada no ano passado.
Para a soja, além do atraso no plantio, o ambiente mais úmido reforça a necessidade de atenção com o manejo fitossanitário ao longo da temporada. Parsianello cita especialmente o risco de maior pressão de ferrugem asiática.
O tema também vem sendo acompanhado pela Embrapa Soja, que alerta para a possibilidade de maior pressão de doenças em 2026/27 diante das perspectivas de um El Niño mais forte e de condições mais úmidas em partes do Sul do país.
Assim, o início da safra em Pato Branco reúne desafios em diferentes etapas: atraso na implantação da soja, milho verão ainda por concluir, maior atenção com doenças e uma possível reorganização da segunda safra caso a janela mais favorável para o milho seja perdida.
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