Soja reverte ganhos e volta a cair em Chicago, mesmo após USDA anunciar novas vendas para exportação

Publicado em 03/11/2026 13:32
Demanda externa continua aquecida, mas avanço da colheita americana e perspectivas da safra brasileira mantêm pressão sobre os preços

 

Os preços futuros da soja inverteram o movimento observado na abertura e passaram a registrar perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo desta terça-feira (3). Depois de iniciar o pregão com pequenas valorizações, os principais vencimentos voltaram ao campo negativo, mesmo diante do anúncio de novas vendas de soja norte-americana para exportação. O mercado continua avaliando o avanço da colheita dos Estados Unidos, o comportamento da demanda internacional e as perspectivas para a produção brasileira de 2026/27.

Por volta das 13h20 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,0425 por bushel, com recuo de 0,50 cent em relação ao ajuste anterior. O janeiro/27 perdia 1,50 cent, cotado a US$ 12,1525, enquanto o março/27 apresentava baixa de 3,75 cents, para US$ 12,2275. O maio/27 registrava queda de 4,50 cents, negociado a US$ 12,3250 por bushel.

A mudança de direção ocorreu ao longo da manhã. Por volta das 7h02, o novembro/26 ainda avançava 5,25 cents e era cotado a US$ 12,1000, enquanto o janeiro/27 subia 3,50 cents, para US$ 12,2025. Desde então, os contratos perderam força e retornaram ao campo negativo, prolongando o cenário de pressão observado no início de novembro.

Na segunda-feira (2), os preços haviam encerrado o pregão com perdas superiores a 1%, depois de uma última semana de outubro também marcada por fortes desvalorizações. A dificuldade para sustentar uma recuperação mantém a atenção sobre a proximidade dos US$ 12,00 por bushel no contrato novembro e sobre o comportamento dos vencimentos seguintes.

USDA confirma novas vendas, mas demanda não sustenta recuperação

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta terça-feira uma nova venda de 134 mil toneladas de soja norte-americana para destinos não revelados, com entrega prevista para o ano comercial 2026/27.

A operação foi divulgada um dia depois de o departamento confirmar uma venda de 136 mil toneladas da oleaginosa para a China, também destinada à temporada atual.

Os anúncios reforçam a movimentação comercial da soja norte-americana, em um período de forte demanda externa. Entretanto, apesar das novas contratações, os preços futuros não conseguiram sustentar os ganhos registrados na abertura desta terça-feira.

Na segunda-feira, o USDA também informou que as inspeções de soja para exportação somaram 2.444.828 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, volume 146,29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

No acumulado da temporada comercial 2026/27, as inspeções alcançaram 12.181.535 toneladas, crescimento de 56,00% na comparação anual.

Os resultados mostram que a demanda internacional permanece expressiva, mas os operadores continuam avaliando se esse ritmo será suficiente para absorver a maior disponibilidade da safra americana e compensar as expectativas de produção na América do Sul.

Colheita americana e processamento industrial seguem no radar

A entrada da produção norte-americana continua entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado.

Segundo o relatório Crop Progress divulgado na segunda-feira, a colheita de soja dos Estados Unidos havia alcançado 88% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de nove pontos percentuais em relação à semana anterior e resultado superior à média histórica de 84% para o período.

Na demanda industrial, o relatório Fats and Oils mostrou que o esmagamento de soja dos Estados Unidos somou 199 milhões de bushels em setembro, redução de aproximadamente 5% em relação a agosto e de 3% na comparação com setembro de 2025.

Apesar da retração do processamento, os estoques de óleo bruto de soja também diminuíram, alcançando aproximadamente 1,07 bilhão de libras ao final de setembro, queda de mais de 16% na comparação mensal.

Os dados acrescentam diferentes elementos às avaliações sobre a demanda doméstica americana, enquanto os operadores acompanham o equilíbrio entre a disponibilidade de grãos e o consumo dos derivados.

Safra brasileira e comportamento dos fundos influenciam expectativas

No Brasil, o avanço do plantio da safra 2026/27 permanece como um dos principais fatores para as expectativas de oferta internacional.

Segundo levantamento divulgado pela AgRural na segunda-feira, a semeadura alcançou 53% da área prevista, acima dos 47% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do avanço, as condições climáticas ainda apresentam diferenças importantes entre as regiões produtoras, com excesso de chuvas em determinadas áreas e irregularidade das precipitações em outras.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que o reposicionamento dos fundos de investimento e as expectativas de produção brasileira elevada têm contribuído para limitar as tentativas de recuperação em Chicago.

Segundo o analista, parte das posições compradas construídas anteriormente pelos investidores vem sendo revista diante das mudanças nas expectativas de oferta e demanda, enquanto os prêmios de exportação brasileiros também podem enfrentar novas pressões caso as condições climáticas favoreçam o desenvolvimento da safra.

Para os produtores brasileiros, a reversão das altas nesta terça-feira reforça a importância de acompanhar simultaneamente as cotações internacionais, as condições climáticas e o comportamento dos prêmios e do câmbio.

Mesmo com a confirmação de novas vendas americanas, Chicago continua encontrando dificuldades para estabelecer uma recuperação consistente depois das perdas registradas no fim de outubro e no início de novembro.

Fonte: Notícias Agrícolas

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