Soja tenta recuperar perdas em Chicago nesta terça-feira, após USDA confirmar avanço da colheita americana
![]()
Os preços futuros da soja iniciaram a terça-feira (3) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), tentando recuperar parte das perdas expressivas registradas no primeiro pregão de novembro. O movimento ocorre depois de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgar novos dados de colheita e processamento da oleaginosa, enquanto os operadores continuam acompanhando a demanda chinesa e o desenvolvimento da safra brasileira 2026/27.
Por volta das 7h02 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,1000 por bushel, com valorização de 5,25 cents em relação ao fechamento anterior. O janeiro/27 avançava 3,50 cents, cotado a US$ 12,2025, enquanto o março/27 registrava ganho de 1,75 cent, para US$ 12,2825. O maio/27 subia 1,00 cent, negociado a US$ 12,3800 por bushel.
A recuperação acontece depois de uma segunda-feira (2) marcada por perdas superiores a 1% nos principais vencimentos. O janeiro/27 encerrou a sessão anterior a US$ 12,1675 por bushel, com queda de 17,50 cents, enquanto o novembro/26 terminou a US$ 12,0475, aproximando-se novamente do patamar de US$ 12,00.
Apesar da reação desta manhã, os preços continuam pressionados pelas perspectivas de oferta americana e sul-americana, além das avaliações sobre o ritmo de consumo doméstico e internacional.
Colheita avança e esmagamento recua nos Estados Unidos
O USDA informou na segunda-feira que a colheita de soja dos Estados Unidos havia alcançado 88% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de nove pontos percentuais em relação à semana anterior e resultado superior à média de 84% dos últimos cinco anos.
O ritmo mais adiantado confirma a continuidade da entrada da produção norte-americana no mercado, ampliando a disponibilidade física da oleaginosa.
Outro indicador divulgado pelo USDA foi o esmagamento de soja durante setembro. Segundo o relatório Fats and Oils, as indústrias americanas processaram 199 milhões de bushels no mês, redução de aproximadamente 5% em relação aos 210 milhões de agosto e de 3% diante dos 205 milhões registrados em setembro de 2025.
A produção de óleo bruto de soja também diminuiu, alcançando 2,31 bilhões de libras, enquanto os estoques do produto recuaram aproximadamente 16% na comparação mensal, para 1,07 bilhão de libras.
Os números mostram uma desaceleração da atividade industrial em setembro, mas também uma redução na disponibilidade armazenada de óleo, acrescentando elementos distintos às avaliações sobre o complexo soja.
Exportações seguem fortes e safra brasileira permanece no radar
Do lado da demanda externa, as inspeções americanas de soja para exportação somaram 2.444.828 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, segundo os números divulgados pelo USDA na segunda-feira.
Embora o volume tenha apresentado pequena redução semanal, o resultado ficou 146% acima do registrado no mesmo período do ano passado. No acumulado da temporada 2026/27, as inspeções alcançaram 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56% na comparação anual.
A China permanece como um dos principais destinos da soja norte-americana, mas o mercado também acompanha as condições de competitividade do produto brasileiro e as perspectivas de abastecimento dos importadores nos próximos meses.
No Brasil, a consultoria AgRural informou que o plantio da safra 2026/27 alcançou 53% da área prevista, acima dos 47% registrados no mesmo período do ano anterior. O avanço dos trabalhos reforça a atenção às condições climáticas nas principais regiões produtoras, especialmente durante o estabelecimento das lavouras.
Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que as perspectivas favoráveis de produção brasileira e a revisão das expectativas de demanda internacional podem limitar uma recuperação mais consistente de Chicago. O analista também destacou a possibilidade de novas pressões sobre os prêmios de exportação para embarques da safra nova.
Para os produtores brasileiros, a valorização desta terça-feira representa uma tentativa de recuperação das referências internacionais após as perdas recentes. Entretanto, o comportamento dos prêmios, a evolução do plantio e as oscilações cambiais continuam determinantes para as oportunidades de comercialização doméstica.
Relembre como fechou o mercado na última segunda-feira (2):
0 comentário
Soja tenta recuperar perdas em Chicago nesta terça-feira, após USDA confirmar avanço da colheita americana
Soja/Cepea: Alta do dólar impulsiona preços no Brasil
Esmagamento de soja nos EUA recua 5% em setembro e estoques de óleo bruto caem mais de 16%, aponta USDA
Soja inicia novembro com perdas superiores a 1% em Chicago, apesar de inspeções de exportação acima de 2,44 milhões de toneladas
Soja amplia perdas em Chicago nesta segunda-feira e novembro se aproxima dos US$ 12,00, apesar de exportações fortes
Plantio de soja no Brasil chega a 53%, segundo a AgRural