Açúcar: Produção sobe mais de 500% no Centro-Sul do BR e NY e Londres caem mais de 1% nesta 2ª

Publicado em 12/12/2022 15:53 e atualizado em 13/12/2022 08:20
Mercado também teve suporte do avanço do dólar sobre o real no dia, apesar de forte valorização do petróleo

As cotações futuras do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (12) com queda de mais de 1% nas bolsas de Nova York e Londres. O mercado do adoçante sentiu pressão com as informações quinzenais da Unica para o Centro-Sul do Brasil, além das oscilações do câmbio.

O petróleo também contribuía, mas virou para o positivo nesta tarde em meio temores com a oferta após rompimento do oleoduto Keystone.

O vencimento mais negociado do açúcar bruto na Bolsa de Nova York caiu 1,12% no dia, cotado a 19,38 cents/lb, com máxima de 19,71 cents/lb e mínima de 19,31 cents/lb. Já no terminal de Londres, o primeiro contrato teve desvalorização de 1,37%, a US$ 534,00 a tonelada.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) trouxe no final da manhã desta segunda-feira dados da moagem referentes à segunda quinzena de novembro no Centro-Sul, maior região produtora do Brasil, que indicam ampla oferta.

A produção de açúcar no período foi de 1,03 milhão de toneladas (+532,32%). No acumulado desde o início da safra 2022/2023, a fabricação do adoçante totalizou 32,94 milhões de toneladas, frente às 32,04 milhões de toneladas do ciclo anterior (+2,82%).

"A quantidade de cana-de-açúcar processada na atual safra já supera a moagem total registrada no último ciclo, quando 523,45 milhões de toneladas fecharam o balanço de oferta de matéria-prima, em 31 março de 2022", destacou a Unica no relatório.

A demanda pelo açúcar brasileiro continua aquecida. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) informou nesta segunda que o total embarcado do adoçante no início de dezembro foi de 1,07 milhão de toneladas, sobre 1,94 milhão de toneladas em todo dezembro de 2021.

Apesar disso, há diversas preocupações com o clima impactando o Brasil, além da safra da Índia e da Tailândia, mas logo mais a oferta desses países asiáticos devem chegar ao mercado.

"O pico da temporada de moagem está chegando na Tailândia, que espera uma safra forte. À medida que os fluxos comerciais globais começam a diminuir com mais exportações da Tailândia, os preços do açúcar devem começar a diminuir em relação aos níveis atuais", disse o Citi em relatório.

Mais cedo, o petróleo contribuía para as perdas no adoçante, mas passou a subir nesta tarde com atenção para a oferta disponível. Ainda no financeiro, o dólar tem alta de mais de 1,5% sobre o real, o que tende a encorajar as exportações das commodities e dá pressão aos futuros nas bolsas externas.

MERCADO INTERNO

Os preços do açúcar no mercado spot oscilam acima de R$ 140 a saca. A sensação do mercado já é de entressafra, com menor oferta disponível neste encerramento de moagen do ciclo 2022/23 no Centro-Sul do país.

No último dia de negociação, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar, cor Icumsa de 130 a 180, mercado paulista, teve queda de 0,08%, negociado a R$ 140,53 saca de 50 kg.

Já nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o açúcar ficou cotado a R$ 135,09 a saca e queda de 0,29%, segundo dados da consultoria Datagro. O açúcar VHP, em Santos (SP), tinha no último dia de apuração o preço FOB a US$ 20,99 c/lb e queda de 0,40%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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