Dados econômicos dos Estados Unidos influenciam em índice cambial e refletem em preços positivos para o açúcar

Publicado em 07/03/2025 15:33 e atualizado em 07/03/2025 17:03

O mercado do açúcar encerrou esta sexta-feira (07) em alta, refletindo o impacto do mercado cambial e das tensões comerciais globais. O contrato maio/25 foi negociado a 18,31 centavos de dólar por libra-peso, com alta de quase 1%. Já os vencimentos julho/25 e outubro/25 fecharam a 17,99 cents (+1,07%) e 18,07 cents (+0,89%), respectivamente. O movimento do mercado reflete a desvalorização do dólar, com o US Dollar Index (DXY) recuando diante das disputas tarifárias promovidas pelos Estados Unidos. O aumento das barreiras comerciais eleva temores sobre a inflação americana e causa incertezas quanto aos dados econômicos internos, o que influencia diretamente nas commodities. 

A queda do índice não impactou diretamente a cotação do dólar frente ao real, que seguiu em desvalorização ao longo do dia. Os dados econômicos brasileiros impediram um possível recuo da variação cambial, uma vez que o mercado acompanha o risco fiscal e as previsões de alta nas taxas de juros no país, fatores que impulsionam a moeda americana.

Apesar da alta nas cotações, os preços do açúcar não devem subir muito, especialmente após a entrega recorde de 1,7 milhão de toneladas de açúcar bruto contra o contrato futuro de março na ICE de Nova York. Os volumes foram entregues pelos traders Wilmar International Ltd e Sucres et Denrees SA, e ofertas tão elevadas costumam ser vistas como um sinal negativo para os preços, indicando que os vendedores enfrentam dificuldades para escoar o produto para outros mercados.

No Brasil, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, anunciou na quinta-feira (06) que o governo zerará a alíquota de importação do açúcar, atualmente em até 14%. A medida faz parte de um pacote de ações para reduzir os preços dos alimentos e também inclui a eliminação de tarifas para azeite, milho, óleo de girassol, sardinha, biscoitos, massas, café e carnes.

Além da redução de impostos, Alckmin destacou o fortalecimento dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), embora ainda não tenha detalhado a operação. No mês passado, a Conab solicitou R$ 737 milhões para recompor estoques de alimentos, que foram reduzidos nos últimos anos. Outra medida anunciada pelo governo foi a prioridade para alimentos da cesta básica no próximo Plano Safra, garantindo mais recursos para a produção e comercialização de itens essenciais no país.

O relatório mais recente da UNICA apontou que, na última semana, o Centro-Sul processou apenas 245 mil toneladas de cana, resultando em 7 mil toneladas de açúcar e 381 milhões de litros de etanol – volumes menores que os da safra 2023/24, o que é típico para este período de entressafra. Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, a maior produção de etanol na safra 2024/25, tanto a partir da cana quanto do milho, reduz riscos de oferta no mercado interno. Esse fator reforça as projeções de uma safra açucareira robusta em 2025/26, o que pode resultar em queda nos preços do açúcar no médio prazo.

Por: Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

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