Coca-Cola anuncia plano para lançar Coca com açúcar de cana nos EUA

Publicado em 22/07/2025 12:50 e atualizado em 22/07/2025 13:52

Por Juveria Tabassum

(Reuters) - A Coca-Cola apresentou nesta terça-feira planos para lançar um novo produto feito com açúcar de cana nos Estados Unidos este ano e divulgou resultados trimestrais superiores às estimativas, impulsionados pela demanda resistente por bebidas sem calorias e por preços mais altos.

Empresas alimentícias estão buscando ingredientes substitutos mais saudáveis em resposta à campanha Make America Healthy Again (Faça a América Saudável Novamente) do Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr. Na semana passada, o presidente Donald Trump disse que a Coca-Cola havia concordado em usar açúcar de cana nos produtos dos EUA.

A Coca-Cola está procurando usar "todo o conjunto de ferramentas disponíveis de opções de adoçantes" onde houver demanda do consumidor, disse o CEO James Quincey em uma conferência sobre os resultados trimestrais.

A rival PepsiCo, que superou as previsões de lucros trimestrais na semana passada, também disse que usaria ingredientes naturais se os consumidores quisessem.

A empresa já vende Coca-Cola feita com açúcar de cana em outros mercados, inclusive no México, e alguns supermercados dos EUA vendem garrafas de vidro com açúcar de cana rotuladas como Coca-Cola "mexicana".

Embora existam algumas pequenas diferenças entre o açúcar de cana e o xarope de milho como adoçantes, os especialistas afirmam que o excesso de ambos não é bom para os consumidores.

A mudança para o açúcar de cana também aumentará os custos, incluindo ajustes significativos nas cadeias de suprimentos, disseram analistas do setor.

A Coca-Cola reiterou que o impacto nos custos devido à "dinâmica do comércio global" permaneceu administrável. Cerca de 61% de sua receita vem de mercados estrangeiros.

A empresa disse que procuraria opções de embalagens acessíveis, como garrafas plásticas, quando Trump impôs uma tarifa de 25% sobre as importações de alumínio. A partir de junho, as tarifas sobre as importações de alumínio atingiram 50%.

PREÇOS MAIS ALTOS COMPENSAM IMPACTO NO VOLUME

A receita comparável da empresa aumentou 2,5% para US$12,62 bilhões nos três meses encerrados em 27 de junho, superando as estimativas de US$12,54 bilhões, de acordo com dados compilados pela LSEG.

Os volumes caíram 1% depois de aumentarem 2% em cada um dos dois trimestres anteriores, em grande parte devido a quedas em mercados importantes como México e Índia, bem como em sua marca Coca-Cola nos EUA.

Os volumes da América do Norte caíram "devido à incerteza contínua e à pressão sobre alguns segmentos socioeconômicos dos consumidores", disse Quincey.

A demanda por refrigerantes caros permaneceu instável nos últimos trimestres, especialmente nos países desenvolvidos, com os consumidores de baixa renda tornando-se mais conscientes em relação aos preços.

(Reportagem de Juveria Tabassum e Aishwarya Venugopal em Bengaluru; reportagem adicional de Jessica DiNapoli em Nova York)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Inmet prevê declínio das temperaturas e possibilidade de geada no Sul neste fim de semana
Açúcar sobe mais de 6% na semana em NY com preocupação sobre oferta global
Safra maior de cana amplia oferta de etanol e pressiona preços
Açúcar ganha força em Nova Iorque com déficit global maior, diz Itaú BBA
Açúcar fecha misto nas bolsas, mas mantém patamares elevados com oferta global no radar
Índia autoriza importação de 1 milhão de toneladas de açúcar e mercado mira impacto sobre preços