Grave crise no setor canavieiro do Nordeste é pauta de reunião da Unida

Publicado em 26/11/2025 08:00 e atualizado em 26/11/2025 08:40

Os associados da União Nordestina dos Produtores de Cana-de-açúcar (Unida) se reuniram nesta terça-feira (25), em transmissão online, para debater a crise que atravessa o setor, com baixos preços pagos pela matéria-prima, chegando a patamares superiores a 33% de defasagem em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Unida, Pedro Campos Neto conduziu a reunião que contou com a participação de representantes de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. “Vamos pleitear ajuda dos governos federal e estadual até porque essa crise que nos afeta impacta não apenas no setor, mas em toda a sociedade porque muitos empregos estão em risco. Ajudar o setor a superar esse momento não é uma questão de solidariedade, mas de sobrevivência de um segmento importante para a economia e desenvolvimento do Nordeste”, afirma Pedro Campos Neto.

O dirigente da Unida iniciou o encontro destacando que essa é a pior safra que ele vivencia. “Eu estou na minha 20ª safra e nunca passei por uma situação tão preocupante”, disse Pedro Campos Neto. O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Lima, reforçou o argumento, destacando que a situação é muito grave e o fornecedor de cana está trabalhando com prejuízo. “O que estamos recebendo não cobre nem os custos”, reiterou ele.

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, destacou a problemática dos fornecedores alagoanos. “Diante desta situação, já nos mobilizamos para junto ao governo estadual buscar soluções que ajudem a minimizar o problema porque sem apoio não conseguiremos superar esse momento sem comprometer seriamente o equilíbrio da atividade e o custeio da próxima safra”, destacou ele que tenta uma audiência com o governador na próxima semana.

Em situação ainda mais complicada, o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Rio Grande do Norte, Hermano Neto, destacou que além do baixo preço pago pela matéria-prima, os pagamentos dos fornecedores já começam a atrasar. “Essa crise afeta toda a cadeia produtiva e acaba prejudicando todo mundo, inclusive com início de atraso nos pagamentos”, destacou ele

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), José Inácio de Morais, que planta cana há mais de 40 anos, destaca que a atual situação é uma das mais graves que ele vivenciou. “Estamos com uma diferença de mais deR$ 50,00 na tonelada de cana e precisamos de ajuda para superar esse momento”, afirma ele que sugeriu propor aos governos estaduais uma proposta de crédito presumido. “Isso é algo que já foi feito no passado e pode ser feito novamente”, disse ele, destacando que na PB essa ajuda corresponderia a R$ 35 milhões, o equivalente a R$ 10,00 por tonelada de cana por fornecedor, beneficiando cerca de 1.500 produtores de cana, sendo 90% deles pequenos e micros.

Segundo José Inácio, o plano de salvação do setor precisa ser encarado como prioridade pelos governadores do Nordeste. “Somos o setor que mais emprega no campo, que gera divisas, mas sem apoio, milhares de empregos serão perdidos e a arrecadação reduzida, de forma que ao ajudar o setor, os governos estarão ajudando a eles também”, reforça o dirigente canavieiro, que estará na próxima segunda-feira (1º), em Recife, onde participará de uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco cuja pauta é debater a crise do setor canavieiro do Nordeste. Além disso, José Inácio já encaminhou oficio pleiteando uma audiência com o governador da Paraíba, João Azevêdo para expor a situação.

José Amado, dirigente da associação de Sergipe, também presente a reunião disse que a situação dos produtores locais segue o mesmo patamar dos demais estados produtores de cana da região. “É uma situação difícil para todos nós, um momento seríssimo”, finalizou ele. Em nível federal, a Unida e outras entidades defendem a proposta de emenda à MP 1309, de autoria do senador Efraim Filho (União-PB) e do deputado federal Meira (PL-PE), que propõe o pagamento de uma subvenção econômica deR$ 12,00 por tonelada de cana produzida na região.

Fonte: UNIDA

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