Açúcar dispara nas bolsas e renova máximas com temor sobre safra da Índia e menor oferta global
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A combinação de um cenário climático cada vez mais preocupante na Ásia e de uma menor disponibilidade de açúcar no mercado internacional levou as cotações da commodity a novos patamares nesta quarta-feira (1º). Os contratos voltaram a subir com força nas bolsas internacionais, refletindo o receio de que a produção da Índia e da Tailândia seja afetada pelas fracas chuvas das monções, enquanto o Brasil direciona uma parcela maior da cana para a produção de etanol.
Em Nova Iorque, o contrato outubro do açúcar bruto encerrou o pregão com alta de 17 pontos, negociado a 14,99 cents por libra-peso, o maior nível em sete semanas.
Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco avançou 830 pontos e fechou cotado a US$ 482,90 por tonelada, atingindo o maior patamar em mais de nove meses.
O principal fator de sustentação continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções estava 38% abaixo da média histórica até 1º de julho.
O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que esta pode ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos.
Como a temporada de monções, entre junho e setembro, é decisiva para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha de perto os possíveis impactos sobre a produção indiana. A preocupação se estende à Tailândia, outro importante exportador mundial.
Na avaliação de João Baggio, diretor-presidente da G7 Agro Consultoria, o mercado passou a precificar um cenário de menor oferta global diante das incertezas climáticas na Ásia.
"As monções estão indicando que não serão satisfatórias. Então a produção da Tailândia pode ser menor e a da Índia também. O mercado está olhando para isso e precificando uma oferta mais apertada", afirma.
Segundo Baggio, outro fator importante é a estratégia adotada pela Índia para ampliar a produção de etanol. O país vem incentivando o uso da cana para a fabricação do biocombustível, reduzindo a disponibilidade de açúcar.
"A Índia entrou forte na produção de etanol para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Produzindo mais etanol, vai produzir menos açúcar. Se esse movimento continuar, a Índia pode deixar de ser exportadora e até se tornar importadora de açúcar. Nesse cenário, o Brasil tende a suprir essa demanda", explica.
Os fundamentos brasileiros também seguem dando sustentação às cotações. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul atingiu 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Além disso, as usinas aumentaram o direcionamento da cana para a produção de etanol. A participação da matéria-prima destinada ao açúcar caiu para 41,42%, enquanto a parcela destinada ao biocombustível avançou para 58,38%.
Para Baggio, essa mudança no mix de produção reduz a disponibilidade de açúcar para exportação e reforça a tendência de alta dos preços.
"O mercado está olhando para o Brasil. A safra está mais alcooleira do que açucareira e isso representa de dois a três milhões de toneladas a menos de açúcar disponível para exportação. Esse é um fundamento importante para sustentar os preços", destaca.
Na avaliação do consultor, as cotações ainda podem avançar caso as previsões climáticas se confirmem.
"Agora o mercado vai acompanhar o clima. Se as monções continuarem fracas na Índia e na Tailândia, os preços podem subir ainda mais. Além disso, o mercado está observando se as usinas brasileiras continuarão priorizando o etanol. Esses são os fatores que devem definir o comportamento das bolsas nos próximos meses", conclui.
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