Açúcar avança em NY de olho na entressafra e no clima brasileiro

Publicado em 07/01/2026 09:00
Chuvas abaixo da média deve limitar aumento na produção do ciclo 26/27

Nesta quarta-feira (07), o mercado do açúcar opera em alta nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o contrato março/26 é negociado a 14,94 cents de dólar por libra-peso, valorização de 1,22%. O vencimento maio é negociado a 14,54 cents (+1,18%) e o julho a 14,55 cents (+1,04%). Em Londres, a commodity acompanha o movimento positivo, com o março/26 cotado a US$ 427,10 por tonelada (+0,83%). Os operadores monitoram os fundamentos do Brasil, que atravessa o período de entressafra. Além da menor oferta sazonal, o mercado repercute o recuo nas exportações, motivado pelos baixos preços internacionais e pela valorização do real frente ao dólar, cenário que tira a competitividade da commodity brasileira e desestimula a participação das usinas nas vendas externas.

Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) confirmam o desaquecimento. As exportações brasileiras de açúcar e melaços registraram queda de 19,4% na média diária de faturamento em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024. Enquanto em dezembro de 2024 a média diária foi de US$ 64,499 milhões, neste último mês o valor recuou para US$ 49,607 milhões. No acumulado total do mês, o Brasil faturou US$ 1,091 bilhão com os embarques do produto, ante US$ 1,354 bilhão registrados em dezembro do ano anterior.

Apesar da alta de hoje, a perspectiva de ofertas robustas nos principais países produtores limita ganhos mais expressivos. Para a safra brasileira 2026/27, a consultoria Safras & Mercado prevê um aumento apenas marginal na produção, estimada em 600 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. A recuperação produtiva, após um ciclo 2025/26 impactado por clima adverso e queimadas da safra anterior, só não deve ser mais expressiva devido à previsão climática para o atual período. Segundo a análise, o volume de chuvas deve ficar aquém do ideal.

“Evidentemente que vai chover em janeiro e ao longo da entressafra, pois estamos na temporada chuvosa. A questão é que as chuvas serão abaixo da média e isso limita o avanço do crescimento da safra”, afirmou Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado.

Muruci destacou ainda que esse cenário climático mais restritivo ainda não está totalmente precificado em Nova Iorque, apesar de os modelos indicarem precipitações abaixo da média ao longo de todo o primeiro trimestre de 2026. A combinação entre um crescimento contido da safra e uma maior preferência das usinas pela produção de etanol pode resultar em uma queda de cerca de 5% na produção de açúcar no Centro-Sul.

Por: Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

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