Açúcar aprofunda perdas nesta quinta-feira (15) com maior produção brasileira e demanda global em baixa

Publicado em 15/01/2026 09:21 e atualizado em 15/01/2026 10:09
Produção acumulada de açúcar no Centro-Sul brasileiro, até meados de dezembro, cresceu 0,9% nesta safra

O mercado do açúcar aprofunda o movimento de baixa nesta quinta-feira (15), operando com perdas expressivas nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março de 2026 rompeu suportes importantes e é negociado a 14,46 cents de dólar por libra-peso, uma queda de 1,50%. Os vencimentos de maio e julho acompanham o pessimismo, recuando 1,60%, cotados a 14,12 e 14,15 cents, respectivamente. Em Londres, a commodity também opera no vermelho, com o contrato de março valendo US$ 415,40 por tonelada, baixa de 1,31%.

A pressão vendedora é sustentada pelos fundamentos de oferta divulgados recentemente pela Unica. O mercado reage aos dados de que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul brasileiro, até meados de dezembro, cresceu 0,9% nesta safra, atingindo 40,158 milhões de toneladas. O relatório confirmou o perfil mais "açucareiro" do ciclo 2025/26, com o mix de produção destinado ao adoçante subindo para 50,91%, contra 48,19% na temporada anterior.

Olhando para o futuro, análises da StoneX indicam que o mercado em 2026 será ditado pela competição entre o alimento e o biocombustível. Para o início da safra 2026/27, a expectativa é de que as usinas priorizem a produção de etanol, atraídas por melhores preços no mercado interno. No entanto, o potencial de alta do álcool deve ser limitado pela expansão da oferta, considerando uma moagem de cana estimada em 620 milhões de toneladas e o crescimento contínuo do etanol de milho. Mesmo com uma provável redução no mix açucareiro em favor do combustível, o volume maior de cana e a qualidade da matéria-prima devem garantir ao Brasil um excedente exportável de açúcar superior a 35 milhões de toneladas.

No cenário global, a StoneX avalia que o forte ritmo das exportações brasileiras em 2025 já recompôs os estoques nos principais destinos, enfraquecendo a demanda imediata para o primeiro semestre de 2026. Com a oferta superando as compras, a tendência baixista deve prevalecer, a menos que uma desaceleração nos embarques brasileiros gere expectativas de déficit para o final do ciclo, trazendo volatilidade de volta aos preços.

Por: Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar aprofunda perdas nesta quinta-feira (15) com maior produção brasileira e demanda global em baixa
Açúcar recua em Nova Iorque e Londres com real mais fraco frente ao dólar
Mercado global do açúcar em 2025: queda de preços, desafios climáticos e volatilidade marcam o ano
Sistema de manejo integrado com planta de cobertura reduz custos e melhora eficiência no plantio da cana-de-açúcar
Açúcar recua nesta quarta-feira (14) com oferta global no radar
Açúcar fecha em alta em Nova Iorque e Londres após reverter perdas do início do dia