Açúcar recua novamente e contratos futuros em NY se aproximam do patamar de 12 cents
Nesta quinta-feira (12), o mercado do açúcar estende suas perdas e aprofunda o cenário de crise nos preços. Em Nova Iorque, a commodity continua em queda livre, aproximando-se cada vez mais do suporte psicológico e financeiro dos 12 cents de dólar por libra-peso. O contrato com vencimento em março de 2026 é negociado a 13,77 cents, um recuo de 0,51%.
A situação é ainda mais delicada para os contratos futuros que balizam a safra brasileira. O vencimento de maio opera a 13,41 cents (-0,81%) e o de julho a 13,40 cents (-0,89%). Esses patamares acendem um sinal de alerta vermelho para o setor sucroenergético do Brasil, indicando que as usinas enfrentarão um grande desafio de gestão de margens, uma vez que as cotações atuais já testam o limite dos custos de produção. Em Londres, o açúcar branco acompanha o pessimismo, com o março cotado a US$ 384,10 por tonelada, uma perda de 0,80%.
O movimento de hoje consolida uma trajetória de desvalorização que já dura três meses, levando os contratos futuros mais curtos às mínimas de cinco anos e meio. O vetor dessa pressão é o consenso entre analistas sobre a persistência de um robusto excedente global de açúcar.
O mercado reage a uma bateria de projeções baixistas divulgadas recentemente. A Czarnikow estimou nesta semana um excedente global de 8,3 milhões de toneladas para a safra 2025/26, projetando que a sobra de produto continuará na temporada 2026/27, com um superávit adicional de 3,4 milhões de toneladas. Na mesma linha, a Green Pool Commodity Specialists projeta um excedente de 2,74 milhões de toneladas para 2025/26, enquanto a StoneX aponta para uma sobra de 2,9 milhões de toneladas no ciclo atual. Com tanta oferta prevista e estoques sendo recompostos, os preços não encontram sustentação para uma retomada a curto prazo.