Açúcar dispara mais de 2% com apoio do petróleo e previsões de menor oferta global
Os preços do açúcar registraram forte valorização nesta sexta-feira (6), com ganhos superiores a 2% entre os principais contratos negociados nas bolsas de Nova Iorque e Londres. O mercado foi impulsionado pelas expressivas altas do petróleo e por novas projeções que apontam para déficit global do adoçante na temporada 2026/27.
Segundo reportagem da Reuters publicada nesta sexta-feira, os preços do açúcar bruto em Nova Iorque devem encerrar o ano cerca de 10% acima dos níveis atuais. A projeção faz parte de uma pesquisa conduzida pela própria agência com dez operadores e analistas do mercado.
De acordo com o levantamento, o mercado global de açúcar pode registrar um déficit de 1,5 milhão de toneladas na safra 2026/27. A expectativa é de que a produção do centro-sul do Brasil alcance 40,38 milhões de toneladas no ciclo, volume próximo ao da temporada anterior, mas com uma proporção menor de cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar.
“Uma mudança maior do que a prevista para o etanol no centro-sul do Brasil elevará os preços”, afirmou um dos participantes da pesquisa. A estimativa é de que o açúcar termine o ano cotado a cerca de 15,00 cents/lbp.
Também na sexta-feira, um importante órgão comercial da Índia informou que a produção do país na atual temporada, que termina em setembro, deve alcançar 28,3 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 29,6 milhões. As informações foram divulgadas pela All India Sugar Trade Association (AISTA), que atribuiu a revisão aos rendimentos mais baixos nas regiões produtoras de Maharashtra e Karnataka, afetadas por padrões climáticos anormais.
Segundo a entidade, a produção bruta de açúcar da Índia deve atingir 31,5 milhões de toneladas, das quais cerca de 3,2 milhões serão desviadas para a produção de etanol.
Outra estimativa divulgada nesta semana reforçou a perspectiva de aperto no balanço global. A consultoria Datagro projetou déficit de 2,68 milhões de toneladas no mercado mundial em 2026/27, acima do déficit de 800 mil toneladas estimado para 2025/26. A avaliação considera que preços mais baixos podem desestimular a produção em países como o Brasil, além de riscos climáticos na Índia.
O presidente da Datagro, Plinio Nastari, explicou que o cálculo utiliza uma metodologia que converte os volumes para açúcar bruto equivalente e padroniza os dados para o período entre outubro e setembro. “Não é a somatória de safras como alguns fazem, de safras descasadas”, afirmou.
Ao longo da semana, o mercado também recebeu forte suporte das altas do petróleo. De acordo com o Barchart, o petróleo WTI subiu mais de 11% nesta sexta-feira, atingindo a maior cotação em cerca de 2,25 anos. A valorização da commodity tende a beneficiar os preços do etanol e pode incentivar as usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta global de açúcar.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato maio/26 avançou 0,38 cent (+2,77%), encerrando a 14,09 cents/lbp. O julho/26 subiu 0,40 cent (+2,90%), para 14,17 cents/lbp. O outubro/26 ganhou 0,38 cent (+2,69%), fechando a 14,52 cents/lbp, enquanto o março/27 registrou alta de 0,34 cent (+2,29%), terminando o dia a 15,17 cents/lbp.
Em Londres, o contrato maio/26 avançou US$ 8,00 (+1,97%), para US$ 414,50 por tonelada. O agosto/26 subiu US$ 10,20 (+2,52%), encerrando a US$ 415,40 por tonelada. O outubro/26 registrou ganho de US$ 10,30 (+2,54%), para US$ 415,40 por tonelada, enquanto o dezembro/26 teve alta de US$ 10,00 (+2,46%), fechando a US$ 416,80 por tonelada.
No acumulado da semana, as cotações também apresentaram avanço em ambas as bolsas. Em Nova Iorque, o maio/26 passou de 13,89 para 14,09 cents/lbp, alta de 1,44%. O julho/26 avançou de 13,87 para 14,17 cents/lbp (+2,16%), enquanto o outubro/26 subiu de 14,20 para 14,52 cents/lbp (+2,25%).
Na Bolsa de Londres, o maio/26 saiu de US$ 407,70 para US$ 414,50 por tonelada, ganho de 1,67%. O agosto/26 avançou de US$ 405,70 para US$ 415,40 (+2,39%). O outubro/26 subiu de US$ 405,00 para US$ 415,40 (+2,57%), enquanto o dezembro/26 passou de US$ 407,00 para US$ 416,80 por tonelada (+2,41%).