UNICA: Centro-Sul encerra safra 2025/2026 com 611 milhões de toneladas de cana moída e inicia novo ciclo com maior foco em etanol

Publicado em 30/04/2026 12:44

As unidades produtoras do Centro-Sul concluíram a safra 2025/2026 com 611,15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas, registrando recuo de 10,78 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, quando foram processadas 621,93 milhões de toneladas.

A produtividade agrícola registrou 74,4 toneladas de cana por hectare colhido na safra encerrada, índice 4,1% inferior ao apurado no ciclo anterior, segundo levantamento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). O resultado por região foi heterogêneo: quedas de 4,3%, 9,4% e 15,9% em São Paulo, Goiás e Minas Gerais, respectivamente; e crescimento de 3,2%, 6,0% e 15,5% no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

A qualidade da matéria-prima, mensurada em kg de ATR por tonelada processada, alcançou 137,79 kg de ATR/t, recuo de 2,34% ante o ciclo anterior.

Para Luciano Rodrigues, Diretor de Inteligência Setorial, Regulação e Competitividade da UNICA, "a redução da moagem já era esperada em função das condições climáticas registradas no período de crescimento da lavoura. A despeito disso, o ciclo registrou a quarta maior moagem histórica do Centro-Sul e a segunda maior produção de etanol e de açúcar."

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas na safra encerrada, praticamente estável ante o ciclo anterior (40,18 milhões de toneladas) e 4,70% abaixo do recorde histórico registrado na safra 2023/2024 (42,42 milhões de toneladas).

A produção de etanol no ano agrícola 2025/2026 somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% em relação ao volume da safra anterior, que havia estabelecido recorde histórico. Do total fabricado, 20,83 bilhões de litros corresponderam ao etanol hidratado (-7,82% ante o último ciclo) e 12,89 bilhões ao etanol anidro, crescimento de 4,22% e segundo maior valor da série histórica.

A produção de etanol de milho atingiu 9,19 bilhões de litros (avanço de 12,26%), respondendo por 27,28% do biocombustível produzido no Centro-Sul.

Vendas de etanol

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, sendo 45,11 milhões de litros (-71,22%) destinados à exportação e 2,75 bilhões de litros (-0,06%) ao mercado doméstico.

No mercado interno, as vendas de etanol hidratado pelas unidades do Centro-Sul atingiram 1,66 bilhão de litros em março, crescimento de 20,25% ante fevereiro de 2026. As vendas de etanol anidro, por sua vez, somaram 1,09 bilhão de litros no mesmo período, alta de 4,80% na comparação mensal.

No acumulado da safra 2025/2026, o etanol hidratado comercializado no mercado interno alcançou 20,34 bilhões de litros. As vendas de etanol anidro totalizaram 13,04 bilhões de litros, crescimento de 7,08%, impulsionadas, entre outros fatores, pela entrada em vigor do E30 a partir de agosto de 2025.

"No ciclo 2025/2026, além da economia de R$ 4 bilhões gerada aos proprietários de veículos flex-fuel, o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa — o maior resultado da série histórica. Esse desempenho reflete a consistência de participação do etanol hidratado no abastecimento da frota brasileira de veículos leves”, destacou o executivo da UNICA.

Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem na região Centro-Sul alcançou 19,56 milhões de toneladas contra 16,68 milhões de toneladas processadas na primeira quinzena da safra 2025/2026 – o que representa um aumento de 19,67%.

1ª QUINZENA DE ABRIL DA SAFRA 2026/2027

Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem alcançou 19,56 milhões de toneladas, avanço de 19,67% sobre os 16,68 milhões de toneladas processados no mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades produtoras estavam em operação ao término da quinzena — 177 com processamento de cana, 10 dedicadas ao etanol de milho e 8 usinas flex —, resultado da entrada de 126 unidades nos primeiros quinze dias de abril, somadas às 52 que haviam iniciado na segunda quinzena de março.

A qualidade da matéria-prima manteve-se estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada, mínima variação de -0,10% ante igual período do ciclo passado.

Produção de açúcar e etanol

O setor abriu o novo ciclo com foco no etanol. Apenas 32,93% da cana processada na primeira quinzena foi direcionada à fabricação de açúcar — o restante, mais de dois terços do volume moído, abasteceu a produção do biocombustível. O reflexo direto foi a queda de 11,94% na produção de açúcar, que totalizou 647,21 mil toneladas ante 735,00 mil toneladas registradas no mesmo período da safra anterior.

"Esse movimento reflete as condições de mercado favoráveis ao etanol neste início de safra e, ao mesmo tempo, oferece maior segurança ao abastecimento doméstico em um momento em que inúmeros países enfrentam incertezas energéticas", destaca o Diretor de Inteligência Setorial da UNICA.

A fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 1,23 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de abril, alta de 33,32% em relação ao mesmo período do ciclo anterior — 879,87 milhões de litros de hidratado (+18,54%) e 350,20 milhões de litros de anidro. O etanol de milho contribuiu com 411,94 milhões de litros, avanço de 15,06%, respondendo por 33,49% do total produzido no período.

Vendas de etanol

As vendas de etanol na primeira quinzena da safra 2026/2027 totalizaram 1,28 bilhão de litros pelas unidades do Centro-Sul, sendo 820,15 milhões de litros de hidratado e 460,87 milhões de litros de anidro.

No mercado interno, os volumes alcançaram 1,25 bilhão de litros, com hidratado atingindo 819,60 milhões de litros e o anidro em 432,54 milhões de litros. As exportações somaram 28,88 milhões de litros, com crescimento de 18,03%.

O ritmo de vendas tende a se acelerar nas próximas semanas. "A expectativa é de crescimento consistente das vendas à medida que a queda de preço já observada na porta da usina seja transmitida para o consumidor final. Na primeira quinzena de abril, os preços ao consumidor ainda não refletiam o movimento verificado no elo produtor — esse repasse, quando ocorrer, deve ampliar a atratividade do etanol hidratado nos postos", explica Rodrigues.

Mercado de CBios

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14,00 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026 pelos produtores de biocombustíveis. O volume disponível para negociação — em posse de partes obrigadas, não obrigadas e emissores — já totaliza 25,13 milhões de créditos.

"Somando os CBios disponíveis para comercialização e os créditos já aposentados para o cumprimento da meta de 2026, o setor produtivo já disponibilizou cerca de 60% dos títulos necessários para o atendimento integral da quantidade exigida pelo RenovaBio ao final deste ano", destaca Rodrigues.

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Fonte:
UNICA

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