Açúcar fecha em baixa nesta 3ª feira com queda nos preços do petróleo
Os preços do açúcar recuaram nesta terça-feira (10), pressionados pela forte queda do petróleo no mercado internacional. A desvalorização da commodity energética reduz o apelo do etanol e pode levar as usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta do adoçante.
A pressão veio após os preços do petróleo bruto despencarem cerca de 11%. Na segunda-feira, a commodity havia disparado até US$ 119,48 por barril depois que Israel bombardeou cerca de 30 depósitos de petróleo iranianos no último sábado. Desde então, no entanto, os preços recuaram acentuadamente, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que a guerra com o Irã pode terminar em breve. Além disso, também ganharam força os planos para uma possível liberação coordenada das reservas estratégicas de petróleo pelos países do G7.
Na Bolsa de Nova Iorque, os contratos encerraram o pregão em queda. O maio/26 recuou 0,21 cent (-1,44%), fechando a 14,38 cents/lbp. O julho/26 caiu 0,17 cent (-1,16%), para 14,51 cents/lbp. O outubro/26 perdeu 0,13 cent (-0,87%), encerrando a 14,89 cents/lbp, enquanto o março/27 registrou baixa de 0,11 cent (-0,70%), terminando o dia cotado a 15,57 cents/lbp.
Em Londres, as cotações também recuaram. O maio/26 cedeu US$ 2,10 (-0,50%), fechando a US$ 418,40 por tonelada. O agosto/26 caiu US$ 4,50 (-1,05%), para US$ 423,20 por tonelada. O outubro/26 registrou perda de US$ 3,10 (-0,72%), encerrando a US$ 425,00 por tonelada, enquanto o dezembro/26 recuou US$ 1,90 (-0,44%), finalizando a sessão a US$ 427,20 por tonelada.
Apesar da recente volatilidade provocada pelos movimentos do petróleo, a consultoria Hedgepoint avalia que o cenário fundamental segue indicando ampla oferta no mercado global. Em relatório, a empresa destacou que o panorama para a temporada 2025/26 continua apontando para excesso de oferta, mantendo o sentimento baixista entre os participantes do mercado.
Segundo a consultoria, a combinação de forte disponibilidade de açúcar no Brasil, expectativas de recuperação da produção no Hemisfério Norte e um fluxo de comércio robusto sustenta essa perspectiva. Mesmo com ajustes no mix de produção das usinas, a oferta global não deve ser totalmente absorvida.
A Hedgepoint trabalha com um cenário de mix açucareiro de 48,6%, o que ainda deixaria o mercado em superávit e manteria os preços próximos de níveis que incentivam maior consumo de etanol, em torno de 13,5 cents por libra-peso.
A consultoria também ressalta que fatores como eventuais cortes de preços da gasolina pela Petrobras e um consumo menor de etanol podem reforçar a tendência baixista. Por outro lado, riscos geopolíticos e possíveis impactos climáticos associados ao El Niño podem limitar quedas mais acentuadas nas cotações, conforme o que destacou a Hedgepoint.