Açúcar fecha em queda com petróleo em baixa e perspectiva de maior oferta global
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O mercado internacional de açúcar encerrou a segunda-feira em queda nas principais bolsas, devolvendo os ganhos observados ao longo do pregão. A pressão veio principalmente da forte desvalorização do petróleo, que reduz a competitividade do etanol e pode estimular as usinas a destinarem mais cana para a produção.
Em Nova York, o contrato outubro fechou cotado a 14,19 cents por libra-peso, queda de 4 pontos. Em Londres, o açúcar branco para agosto encerrou o dia a US$ 442,40 por tonelada, recuo de 220 pontos.
Durante a sessão, as cotações chegaram a ensaiar recuperação acompanhando o movimento de outras commodities, mas perderam força e voltaram ao campo negativo.
Petróleo e logística pressionam as cotações
A queda de cerca de 5% do petróleo WTI foi um dos principais fatores de pressão sobre o mercado. Com combustíveis mais baratos, o etanol perde atratividade, aumentando a possibilidade de maior produção de açúcar pelas usinas ao redor do mundo.
Além disso, a perspectiva de normalização do fluxo comercial no Oriente Médio reduziu parte dos prêmios de risco que vinham sustentando as commodities nas últimas semanas. Segundo a consultoria Covrig Analytics, as restrições no Estreito de Ormuz afetavam aproximadamente 6% do comércio global de açúcar.
Clima e El Niño limitam perdas
Apesar do viés baixista, os preços encontraram suporte nas preocupações climáticas.
Na Índia, segundo maior produtor mundial da commodity, o volume de chuvas das monções acumulava déficit de 26% em relação à média histórica até 12 de junho. Como a temporada de monções é fundamental para o desenvolvimento da cana, o mercado acompanha com atenção os possíveis impactos sobre a safra.
Outro fator de sustentação é a confirmação do El Niño. A NOAA indicou 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte nos próximos meses. Historicamente, o evento reduz as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.
Mercado acompanha possível déficit global
Os investidores também seguem atentos à revisão feita pela consultoria Czarnikow para o balanço global de açúcar da safra 2026/27.
A empresa passou a projetar déficit de 100 mil toneladas, revertendo a estimativa anterior de superávit de 1,4 milhão de toneladas. A mudança reflete a expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras, o que pode reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
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