Açúcar amplia perdas nas bolsas internacionais com pressão do petróleo e cenário global
O mercado internacional do açúcar voltou a registrar queda nesta quarta-feira, ampliando o movimento de desvalorização observado ao longo da semana. A pressão veio principalmente da queda nos preços do petróleo e da sinalização da Índia de que não pretende restringir suas exportações, o que aumenta a oferta global da commodity.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato do açúcar recuou 35 pontos, negociado a 14,23 cents por libra-peso. Em Londres, a queda foi ainda mais acentuada, de 60 pontos, com os preços a US$ 425,50 por tonelada.
Petróleo em queda pressiona o mercado
Os preços do açúcar atingiram mínimas de três semanas, acompanhando o forte recuo do petróleo, que caiu cerca de 16% no dia. A desvalorização da energia reduz a competitividade do etanol, o que tende a incentivar usinas ao redor do mundo a direcionarem mais cana para a produção de açúcar, elevando a oferta global.
Esse movimento reforça a pressão baixista sobre as cotações, em um momento em que o mercado já vinha sensível a fatores externos.
Índia amplia oferta global
Outro fator relevante foi a declaração do governo da Índia de que não há planos para proibir as exportações de açúcar neste ano. A sinalização reduz as preocupações de restrição de oferta, especialmente em um cenário de incertezas no mercado de energia.
Conflito limita perdas
A instabilidade provocada pelos conflitos internacionais voltou a acender o alerta no mercado. Nesta quarta-feira (8), o Irã recuou do acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos e voltou a fechar o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores logísticos do mundo. A região é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente, o que amplia os riscos de interrupção no abastecimento e pressiona custos em diversas cadeias produtivas.
O governo do Irã ameaçou romper de vez o cessar-fogo caso o Exército israelense não interrompa os ataques ao Líbano, segundo agências estatais iranianas.
O endurecimento da postura do Irã ocorreu após Israel ter feito nesta quarta o maior ataque contra o território libanês desde o início do conflito contra o grupo terrorista Hezbollah