Açúcar abre quinta-feira em queda com pressão do petróleo e mercado mais equilibrado no Centro-Sul

Publicado em 09/04/2026 10:21
Queda do petróleo, aumento da produção e decisão da Índia sobre exportações reforçam movimento de baixa nas cotações

Os preços do açúcar iniciaram esta quinta-feira (9) em queda nas bolsas de valores internacionais.  A pressão veio principalmente da baixa nos preços do petróleo, de cerca de 16%na sessão de ontem e apesar da recuperação na manhã de hoje. 

Na bolsa de Nova Iorque, o açúcar registra recuo de 10 pontos no contrato de maio, sendo negociado a 14,13 cents por libra-peso por volta das 10h (horário de Brasília). O contrato de julho teve uma queda de 15 pontos.

Já em Londres, o contrato de maio registrou uma queda de 19 pontos, sendo comercializado a US$ 420,40. Já o movimento de agosto, teve um recuo de 21 pontos, vendido a US$ 423,40.

Os preços do açúcar atingiram mínimas de três semanas, acompanhando o forte recuo do petróleo, que caiu cerca de 16% no dia. A desvalorização da energia reduz a competitividade do etanol, o que tende a incentivar usinas ao redor do mundo a direcionarem mais cana para a produção de açúcar, elevando a oferta global.

Esse movimento reforça a pressão baixista sobre as cotações, em um momento em que o mercado já vinha sensível a fatores externos.

Sucroenergético do Centro-Sul

O setor sucroenergético do Centro-Sul inicia a safra 2026/27 em uma condição mais equilibrada em comparação aos últimos meses, após avanço relevante nas fixações de açúcar por parte dos produtores. Segundo a análise é da StoneX, o movimento reduz a pressão vendedora que vinha limitando altas mais expressivas nos preços internacionais. 

Depois de registrar um atraso de até 20 pontos percentuais nas fixações em relação ao mesmo período do ciclo anterior, os produtores aproveitaram a janela de alta observada em março para acelerar as vendas. O volume fixado saltou de 41,8% para 59,5%, reduzindo a defasagem para cerca de 10 pontos percentuais frente aos 68,7% registrados no fim de março de 2025. 

O cenário de preços mais firmes no mês foi impulsionado pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio, o que contribuiu para a redução de posições vendidas por parte de agentes especulativos. Ao mesmo tempo, produtores, ainda atrasados nas fixações, aproveitaram a liquidez para avançar nas vendas. 

Na prática, esse movimento limitou uma alta mais expressiva das cotações, já que a oferta adicional oriunda das fixações compensou parte da pressão compradora. Ainda assim, a recomposição do ritmo de vendas altera a dinâmica do mercado. 

“O mercado passa a operar em uma condição mais equilibrada, com menor resistência do lado produtor a movimentos de alta”, avalia a consultora em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Nathalia Bruni. 

A defasagem nas fixações de açúcar pelos produtores do Centro-Sul vinha funcionando como um teto informal para os preços. Esse atraso fazia com que eventuais movimentos de alta fossem acompanhados por avanço nas vendas, ampliando a oferta e limitando a sustentação das cotações. Com a recuperação recente das fixações e a redução dessa defasagem, esse obstáculo perde força e diminui a resistência do lado produtor a movimentos mais sustentados de alta. 

“Se os fundamentos encontrarem um novo gatilho de alta, a resistência do lado produtor tende a ser menor do que foi observado anteriormente”, completa.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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