Açúcar fecha em baixa e mantém tendência negativa diante de cenário global
Os preços do açúcar voltaram a operar em baixa nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (15), após uma leve recuperação registrada no dia anterior. O movimento reforça a tendência de queda observada nas últimas semanas, pressionada principalmente pela ampla oferta global.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio foi negociado a 13,72 cents por libra-peso, com recuo de 16 pontos. Já o contrato de julho era cotado a 13,93 cents por libra-peso por volta das 9h30.
Em Londres, o contrato de maio foi comercializado a US$ 418,70 por tonelada, com queda de 55 pontos. O contrato de agosto recuava 46 pontos, negociado a US$ 415,10 por tonelada.
Na véspera (14), os preços haviam registrado uma leve reação. Em Nova Iorque, o açúcar fechou com alta de 20 pontos, a 13,77 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato avançou para US$ 419,70 por tonelada.
Apesar da recuperação pontual, o viés segue negativo. O mercado chegou a reagir após o enfraquecimento do dólar, que atingiu mínimas de seis semanas e estimulou o fechamento de posições vendidas nos contratos futuros. Ainda assim, os fundamentos seguem pressionando as cotações.
A oferta global continua elevada, o que limita avanços mais consistentes nos preços. Por outro lado, há preocupação com a próxima safra, diante da possibilidade de desenvolvimento do El Niño a partir da metade do ano, o que pode impactar a produção em importantes regiões.
Além disso, a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, deve registrar chuvas abaixo da média em 2026, de acordo com projeções do governo, o que também permanece no radar dos investidores.
Os fatores geopolíticos seguem adicionando volatilidade. O fechamento do Estreito de Ormuz, conforme análise da Covrig Analytics, reduziu em cerca de 6% o comércio global de açúcar ao afetar rotas logísticas essenciais para o refino, o que pode gerar impactos pontuais na oferta.
Mercado interno
No Brasil, os preços do açúcar cristal registraram leve recuo no balanço da última semana, segundo levantamento do Cepea.
As cotações oscilaram dentro de uma faixa relativamente estreita nos primeiros dias, mas reagiram no fim do período, voltando a se aproximar de R$ 106 por saca.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o mercado spot segue influenciado pelo início da safra 2026/27. Parte das usinas tem direcionado a produção inicial para o açúcar VHP, o que reduz a oferta de açúcar cristal branco no curto prazo e contribui para sustentar os preços.
Do lado da demanda, a atuação segue pontual, sem pressão significativa por recomposição de estoques, refletindo um ambiente de negociações mais moderado.