Açúcar cai com maior oferta global e El Niño segue no radar do mercado
Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (2) em queda nas principais bolsas internacionais. O mercado continua reagindo aos sinais de ampla oferta global, especialmente diante do avanço da produção brasileira e do forte ritmo das exportações da Tailândia.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou com recuo de 7 pontos, cotado a 14,38 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrou queda de 420 pontos, encerrando o pregão a US$ 445,80 por tonelada.
Oferta segue pesando sobre as cotações
O principal fator de pressão continua sendo o aumento da disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
Dados divulgados na última semana pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, crescimento de 55,3% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O resultado foi impulsionado pela melhora na qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Além do Brasil, a Tailândia também contribui para o cenário de maior oferta. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do país somaram 1,6 milhão de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Como segundo maior exportador mundial de açúcar, o desempenho tailandês reforça a percepção de abastecimento confortável no curto prazo.
El Niño continua no radar
Apesar da pressão baixista, o mercado segue monitorando os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem limitar a produção global nos próximos meses.
As preocupações aumentaram após o serviço meteorológico da Índia reduzir a estimativa de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro. A previsão passou de 92% para 90% da média histórica, elevando as incertezas sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além da Índia, investidores acompanham os possíveis impactos do fenômeno sobre Brasil e Tailândia, importantes fornecedores globais da commodity.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com persistência até o final do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um "Super El Niño".
Projeções indicam menor produção de açúcar no Brasil
Embora a safra atual apresente números robustos, projeções para o ciclo 2026/27 indicam uma possível redução na produção brasileira de açúcar.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 43,95 milhões de toneladas, queda de 0,5% em relação à safra anterior.
A expectativa é de maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol, cuja produção deve crescer 7,2%.
Em linha semelhante, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção brasileira de 42,5 milhões de toneladas, retração de 3% na comparação anual. A avaliação considera justamente o aumento da atratividade do etanol para as usinas.
Dessa forma, o mercado continua equilibrando dois fatores opostos: a oferta atualmente abundante, que pressiona os preços, e os riscos climáticos e produtivos para os próximos meses, que impedem quedas mais acentuadas das cotações.
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