Queda do petróleo repercute no mercado do açúcar
A forte queda do petróleo após a reabertura do Estreito de Ormuz colocou novamente em evidência a relação direta entre os mercados de energia e açúcar nesta sexta-feira (17), pressionando as cotações da commodity nas bolsas internacionais.
O movimento foi desencadeado pelo anúncio do Irã de que a passagem marítima, uma das mais estratégicas do mundo, foi liberada para a circulação de navios, reduzindo riscos logísticos e geopolíticos na região.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent recuava 10,42%, cotado a US$ 89,03. Já o WTI caía 11,11%, a US$ 84,17. Além da reabertura da rota, o mercado também reagiu à expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que contribui para aliviar as tensões no Oriente Médio.
No mercado do açúcar, o impacto foi imediato. Por volta das 12h, o contrato de maio em Nova Iorque registrava queda de 36 pontos, negociado a 13,30 cents por libra-peso, enquanto o vencimento de julho recuava para 13,47 cents por libra-peso.
Na bolsa de Londres, as perdas foram ainda mais intensas. O contrato de agosto caía 64 pontos, para US$ 411,50 por tonelada, e o de outubro recuava 68 pontos, cotado a US$ 410,50 por tonelada.
Logística
O mercado também acompanha os impactos logísticos. Durante o período de restrições no estreito, o fluxo global de commodities foi afetado, incluindo o açúcar.
Segundo a Covrig Analytics, as limitações chegaram a reduzir em cerca de 6% o comércio global da commodity, ao dificultar rotas e o abastecimento de refinarias. Com a reabertura, a tendência é de normalização desses fluxos, fator que reforça a percepção de oferta mais ampla no mercado internacional.
Fundamentos seguem pressionados
No Brasil, o cenário também contribui para o viés baixista. A expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul em 2026/27, com produção estimada em cerca de 635 milhões de toneladas de cana e mais de 40 milhões de toneladas de açúcar, deve ampliar ainda mais a disponibilidade global.
Esse quadro se soma à recuperação parcial da produção em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, consolidando um ambiente de excedente e limitando reações mais consistentes nos preços.
Mesmo as altas recentes, que levaram o açúcar à faixa de 16,1 cents por libra-peso, perderam força com o recuo dos prêmios de risco geopolítico e da energia.
“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade recente, os fundamentos seguem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste”, afirma Lívia Coda, da Hedgepoint Global Markets.
Desde o final de 2025, o etanol voltou a ganhar espaço no mix das usinas. Atualmente, cerca de 48% da cana é destinada à produção de açúcar, acima do nível considerado mais equilibrado, próximo de 44,5%, o que indica espaço para ajustes, ainda que de forma gradual.