Açúcar recua após máximas recentes com realização de lucros e ajuste no petróleo

Publicado em 30/04/2026 10:14
Mesmo com petróleo em patamares elevados, correção no dia e fundamentos de oferta pressionam as cotações.

Os preços do açúcar voltaram a cair nesta quinta-feira (30) nas principais bolsas internacionais, após atingirem máximas recentes no pregão anterior. O movimento reflete a oscilação nos preços do petróleo ao longo do dia e a continuidade de um cenário global de oferta elevada.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio recuou 20 pontos, sendo negociado a 14,48 cents por libra-peso. O vencimento de julho também registrou queda, de 19 pontos, cotado a 14,58 cents por libra-peso.
Em Londres, o mercado acompanhou o movimento negativo. Por volta das 10h (horário de Brasília), o contrato de agosto era negociado a US$ 441,20 por tonelada, com recuo de 360 pontos. Já o contrato de outubro caía 320 pontos, para US$ 440,50 por tonelada.

Correção após forte alta

A queda ocorre após um avanço expressivo na véspera. Na quarta-feira (29), o açúcar atingiu o maior nível em três semanas em Nova Iorque e em quatro semanas em Londres, impulsionado pela disparada dos preços da energia.
Diante desse cenário, o mercado passou por um ajuste técnico, com investidores realizando lucros após a recente valorização.

Petróleo segue elevado

Embora o petróleo tenha atingido recentemente os maiores patamares desde 2022, o mercado registrou correção na manhã desta quinta-feira, após uma sequência de altas.
O barril do tipo Brent chegou a superar US$ 126 durante o pico recente, mas passou a recuar ao longa manhã no pregão. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), o contrato para junho recuava cerca de 1,5%, para a faixa de US$ 116 por barril, após ter superado US$ 126 no pico intradiário.

Esse movimento é relevante para o açúcar porque a relação entre energia e a commodity é direta. Com o petróleo em alta, o etanol ganha competitividade, reduzindo a oferta de açúcar. No entanto, quando há correção nos preços da energia, esse suporte perde força no curto prazo, pressionando as cotações.

Fundamentos ainda pesam

Além do fator energético, o mercado continua influenciado por fundamentos considerados baixistas. A expectativa de oferta global elevada, aliada ao avanço da safra 2026/27 no Brasil, mantém a pressão sobre os preços.

A Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma leve redução na produção de açúcar na nova safra, mas com aumento na fabricação de etanol, refletindo a dinâmica do mix das usinas.

Ainda assim, o volume disponível no mercado global segue suficiente para limitar movimentos mais consistentes de alta no curto prazo.

Por: Andréia Marques I @andreia.marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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