Açúcar reflete produção menor e é comercializado na faixa de 15 cents em NY
A tendência para o mercado sucroenergético no Brasil indica que o mix das usinas será prioritariamente dedicado à produção de etanol. Essa estratégia fundamenta-se nos preços do açúcar que, no início do ano, oscilaram em patamares que colocavam em risco as margens de custo de produção. Com a oferta reduzida, o mercado já reflete esse cenário e em Nova York as cotações da commodity estão na faixa de 15 cents de dólar por libra-peso. O contrato para julho/26, por exemplo, é cotado a 14,95 cents, com alta de 2,33%, enquanto outubro é negociado a 15,39 cents, acréscimo de 2,26%. Em Londres, o açúcar também opera em alta, com o contrato de agosto a US$ 446,50 (alta de 1,73%) e o de outubro a US$ 446,70 (acréscimo de 1,87%).
As unidades produtoras do Centro-Sul concluíram o ciclo 2025/2026 com o processamento de 611,15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um recuo de 10,78 milhões de toneladas em comparação à safra anterior, quando foram processadas 621,93 milhões. A produtividade agrícola média foi de 74,4 toneladas por hectare colhido, índice 4,1% inferior ao ciclo anterior, conforme levantamento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). O desempenho regional foi heterogêneo, com quedas de 4,3% em São Paulo, 9,4% em Goiás e 15,9% em Minas Gerais, enquanto houve crescimento no Mato Grosso (3,2%), Mato Grosso do Sul (6,0%) e Paraná (15,5%). A qualidade da matéria-prima, mensurada em quilos de ATR por tonelada, alcançou 137,79 kg/t, recuo de 2,34% ante o ciclo anterior. Luciano Rodrigues, Diretor de Inteligência Setorial da UNICA, observa que a redução na moagem já era esperada devido às condições climáticas adversas durante o crescimento da lavoura, embora o ciclo tenha registrado a quarta maior moagem histórica e a segunda maior produção de etanol e açúcar.
A produção de açúcar na safra encerrada totalizou 40,43 milhões de toneladas, mantendo-se estável em relação ao ciclo anterior, mas ficando 4,70% abaixo do recorde registrado em 2023/2024. Já a produção de etanol somou 33,72 bilhões de litros, um recuo de 3,56% ante o recorde histórico anterior. Desse total, 20,83 bilhões de litros foram de etanol hidratado e 12,89 bilhões de anidro, este último apresentando crescimento de 4,22%. O etanol de milho atingiu 9,19 bilhões de litros, avançando 12,26% e respondendo por 27,28% do biocombustível do Centro-Sul. Em março de 2026, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com destaque para o mercado interno, onde o hidratado cresceu 20,25% ante fevereiro e o anidro subiu 4,80%. No acumulado, as vendas de anidro foram impulsionadas pela entrada em vigor do E30 em agosto de 2025. Além da economia de R$ 4 bilhões aos proprietários de veículos flex, o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem no Centro-Sul alcançou 19,56 milhões de toneladas, alta de 19,67% sobre o mesmo período do ciclo anterior. Ao todo, 195 unidades produtoras estavam em operação, refletindo um início de safra com foco no etanol. Apenas 32,93% da cana foi destinada ao açúcar, resultando em uma queda de 11,94% na produção do adoçante, que somou 647,21 mil toneladas. Em contrapartida, a fabricação de etanol atingiu 1,23 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de abril, alta de 33,32%. O etanol de milho contribuiu com 411,94 milhões de litros, representando 33,49% do total produzido no período. As vendas totais na quinzena alcançaram 1,28 bilhão de litros, e a expectativa é de crescimento consistente à medida que a queda de preço nas usinas seja transmitida ao consumidor final, aumentando a atratividade do hidratado nos postos.