Açúcar dispara 270 pontos impulsionado pela alta da gasolina e suporte do etanol
Os preços do açúcar avançaram nesta segunda-feira (4) impulsionados pela alta da gasolina, que reforça a migração da cana para a produção de etanol e reduz a oferta global do adoçante. Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho registrou alta de 270 pontos, consolidando o segundo avanço consecutivo.
Os contratos alcançaram o maior patamar em um mês. O vencimento julho encerrou cotado a 15,29 cents de dólar por libra-peso, com alta de 270 pontos.
Em Londres, não houve movimentações hoje devido ao feriado do Dia do Trabalho no Reino Unido.
Etanol competitivo
O movimento de alta foi sustentado principalmente pela valorização de cerca de 3% nos preços da gasolina, fator que impacta diretamente o setor sucroenergético. Com combustíveis mais caros, o etanol se torna mais competitivo, incentivando usinas a destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para sua produção, em detrimento do açúcar. Esse redirecionamento reduz a oferta global do adoçante e dá suporte às cotações.
Além disso, o mercado segue atento ao cenário de oferta global. A consultoria Green Pool revisou para cima o déficit mundial de açúcar na safra 2026/27, agora estimado em 4,30 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 1,66 milhão de toneladas. A revisão reflete justamente a maior destinação de cana para etanol.
Mercado interno
No Brasil, maior produtor mundial, os dados recentes reforçam o viés de menor oferta de açúcar. Segundo a Unica, a produção no Centro-Sul na primeira quinzena de abril da safra 2026/27 somou 647 mil toneladas, queda de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a proporção de cana destinada ao açúcar caiu de 44,7% para 32,9%, evidenciando a mudança de mix em favor do etanol.
As projeções também apontam nessa direção. A Conab estima que a produção brasileira de açúcar deve recuar 0,5% na safra 2026/27, totalizando 43,952 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2%, alcançando 29,259 bilhões de litros.
Oriente Médio
Outro fator de sustentação para os preços é o cenário geopolítico. As preocupações com interrupções no fornecimento global, especialmente devido ao fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, seguem no radar. De acordo com a Covrig Analytics, essa situação já impactou cerca de 6% do comércio mundial de açúcar, limitando a produção de açúcar refinado.