Açúcar fecha em alta e atinge máxima de uma semana com temor de déficit global
As cotações do açúcar encerraram esta quarta-feira em forte alta nas bolsas internacionais de Nova Iorque e Londres, impulsionadas pelas preocupações com uma oferta global mais restrita e pelo avanço dos custos de produção nos principais países produtores.
Os preços da commodity atingiram os maiores níveis em uma semana, sustentados pelas novas projeções de déficit no mercado internacional para a safra 2026/27.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou com alta de 37 pontos, negociado a 15,38 cents de dólar por libra-peso. Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o pregão cotado a US$ 455,40 por tonelada, avanço de 1.370 pontos.
StoneX projeta déficit global em 2026/27
O mercado segue repercutindo a primeira estimativa da StoneX para a safra global 2026/27.
A consultoria projeta déficit de aproximadamente 550 mil toneladas de açúcar no próximo ciclo, marcando uma mudança importante após dois anos consecutivos de superávit.
Segundo a StoneX, o cenário reflete uma combinação de riscos climáticos, redução de área plantada em importantes regiões produtoras e mudanças no fluxo global do comércio da commodity.
“Nesta primeira leitura para 2026/27, já identificamos um déficit de aproximadamente 550 mil toneladas no balanço global de açúcar, o que altera de forma importante a dinâmica do mercado em relação aos ciclos anteriores”, afirmou Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de inteligência de mercado da consultoria.
De acordo com o especialista, o aperto na oferta ocorre mesmo diante da expectativa de crescimento da produção brasileira, em função das perdas registradas em outras origens relevantes.
Custos de produção também dão suporte ao mercado
Outro fator que ajudou a sustentar as cotações foi o aumento dos custos de produção do açúcar nos principais países exportadores.
Segundo Plínio Nastari, analista-chefe da Datagro, os preços mais elevados de fertilizantes e diesel vêm pressionando os custos agrícolas, especialmente no Brasil.
De acordo com Nastari, o custo de produção do açúcar brasileiro, maior exportador global da commodity, equivale atualmente a 18,63 cents de dólar por libra-peso, após aumento de cerca de 2 cents em relação ao ano anterior.
O valor supera os níveis atuais negociados na bolsa de Nova Iorque, onde o açúcar bruto opera próximo de 15,30 cents por libra-peso.
O mercado segue atento ao comportamento da safra brasileira, aos riscos climáticos ligados ao El Niño e à evolução da demanda global ao longo do segundo semestre.