Açúcar fecha em alta com perspectiva de déficit global e maior demanda por etanol no Brasil

Publicado em 12/05/2026 16:16
Mercado reage a projeções de oferta mais apertada, avanço do mix alcooleiro e riscos climáticos ligados ao El Niño.

Os preços do açúcar encerraram a terça-feira em alta nas bolsas internacionais, sustentados pelas perspectivas de uma oferta global mais restrita e pelo aumento das expectativas de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil.

Em Nova York, o contrato julho do açúcar bruto fechou com alta de 0,67%, negociado a 15,01 cents de dólar por libra-peso, avanço de 10 pontos.

Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o pregão cotado a US$ 441,70 por tonelada, alta de 440 pontos, equivalente a avanço de 1,02%.

StoneX projeta déficit global de açúcar

O mercado encontrou suporte após a StoneX projetar um déficit global de açúcar de 550 mil toneladas na safra 2026/27.

A estimativa representa uma mudança importante em relação à temporada 2025/26, quando o mercado registrou superávit de 2,3 milhões de toneladas.

Além disso, o Citigroup reduziu recentemente sua estimativa para a produção brasileira de açúcar em 2026/27 para 39,5 milhões de toneladas, número abaixo da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê produção de 43,95 milhões de toneladas.

Segundo o banco, a diferença ocorre devido à estratégia das usinas brasileiras de direcionarem mais cana-de-açúcar para a fabricação de etanol, impulsionadas pela alta dos preços da gasolina.

El Niño segue no radar do mercado

Outro fator de sustentação para as cotações é a preocupação climática envolvendo um possível fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo deste ano.

O Citigroup alertou que o evento climático pode afetar significativamente a produção de açúcar na Índia e na Tailândia nos próximos seis a 12 meses, reduzindo a disponibilidade global da commodity.

Centro-Sul pode ter 2ª maior safra da história

Apesar das preocupações com a oferta global, a safra brasileira segue com perspectiva positiva.

Segundo a StoneX, a região Centro-Sul,  principal polo produtor de cana-de-açúcar do país, deverá registrar a segunda maior safra da história na temporada 2026/27, iniciada em abril.

A consultoria estima moagem de 632,2 milhões de toneladas, acima da previsão divulgada em março, de 620,5 milhões de toneladas, e também superior ao volume da safra 2025/26, de 621,9 milhões de toneladas.

De acordo com a empresa, as condições climáticas favoráveis devem sustentar o aumento da produção agrícola.

Maior oferta pode ampliar produção de etanol

Com a expectativa de maior disponibilidade de matéria-prima, o setor também projeta mudanças no perfil produtivo das usinas brasileiras.

Segundo a Datagro, embora a produção de açúcar deva permanecer praticamente estável, em torno de 40,7 milhões de toneladas, a fabricação de etanol poderá crescer cerca de 4,6 bilhões de litros na safra 2026/27.

A avaliação do mercado é de que parte maior da cana será destinada ao biocombustível, em um movimento estratégico das usinas diante do cenário de preços da energia e da gasolina.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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