Açúcar amplia perdas nesta quinta-feira (28) com avanço da safra brasileira
As cotações do açúcar seguem em queda nesta quinta-feira (28), pressionadas pelo avanço da produção no Brasil, pela desvalorização do petróleo e pelo aumento da oferta global da commodity.
Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em julho recuava 23 pontos por volta das 12h30 (horário de Brasília), negociado a 13,91 cents por libra-peso.
Em Londres, os preços também operavam em baixa. O contrato agosto caiu 380 pontos, cotado a US$ 426,00 por tonelada. Já o vencimento outubro registrava recuo de 350 pontos, também comercializado a US$ 426,00.
O mercado reagiu aos dados divulgados pela Unica, que apontaram forte avanço da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil. Segundo a entidade, a produção na safra 2026/27, em abril, alcançou 2,475 milhões de toneladas, alta de 55,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi impulsionado pelo aumento do rendimento agrícola, com a quantidade de sacarose por tonelada de cana subindo 5,4%, para 112,58 kg.
Outro fator de pressão para os preços é a queda do petróleo bruto, que atingiu na quarta-feira a mínima em cinco semanas. Com o petróleo mais barato, os preços do etanol também tendem a perder força, o que pode estimular as usinas a destinarem mais cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global da commodity.
Além disso, o mercado acompanha o aumento das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar. Entre janeiro e abril de 2026, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
No Brasil, o ritmo da moagem também segue acelerado. De acordo com a Unica, as usinas do Centro-Sul processaram 40,06 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na segunda quinzena de abril, avanço de 123,12% em relação ao mesmo período da safra passada.
No acumulado da safra 2026/27 até 1º de maio, a moagem totalizou 60,46 milhões de toneladas, crescimento de 74,58% na comparação anual.
Apesar do cenário de pressão baixista, o mercado segue atento aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que pode impactar a produção global de açúcar nos próximos meses.