Açúcar recua nas bolsas após queda do petróleo e melhora das chuvas na Índia

Publicado em 10/07/2026 16:36 e atualizado em 10/07/2026 17:14
Commodity encerra a semana pressionada pelo avanço das monções no segundo maior produtor mundial, mas déficit global projetado e riscos climáticos seguem dando suporte ao mercado.

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Depois de renovar as máximas dos últimos meses, o mercado do açúcar perdeu força e encerrou a sexta-feira (10) em queda nas principais bolsas internacionais. O mercado foi pressionado pela desvalorização do petróleo e pela melhora das chuvas de monção na Índia, fatores que reduziram parte das preocupações imediatas com a oferta global da commodity.

Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou cotado a 14,88 cents por libra-peso, com queda de 24 pontos. Em Londres, o contrato agosto encerrou o pregão a US$ 467,10 por tonelada, baixa de 115 pontos.

A queda dos preços do petróleo foi um dos principais fatores de pressão sobre o mercado. Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade, aumentando a expectativa de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, o que pode ampliar a oferta da commodity no mercado internacional.

Outro fator baixista veio da Índia. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostraram que o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 15% abaixo da média histórica até 10 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho. A recuperação das precipitações reduz, ao menos no curto prazo, o temor de perdas expressivas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Além disso, analistas destacam que parte da queda também reflete um movimento de realização de lucros. Após a forte valorização recente, investidores reduziram posições compradas, pressionando principalmente os contratos negociados em Londres. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em açúcar branco na ICE para um recorde de 58.131 contratos, aumentando o risco de novas vendas em caso de mudanças no cenário.

Perspectiva de déficit global continua sustentando o mercado

Apesar da correção desta sexta-feira, os fundamentos seguem apontando para um mercado de oferta mais restrita nos próximos meses.

A consultoria Czarnikow passou a projetar um déficit global de 600 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27, principalmente em função da redução da produção na União Europeia. A intensa onda de calor que atinge o continente comprometeu o desenvolvimento da beterraba sacarina e levou a consultoria a revisar sua estimativa de produção do bloco para 13,9 milhões de toneladas.

Embora os estoques acumulados na safra anterior reduzam o risco de uma escassez imediata, a Czarnikow avalia que o mercado terá menos margem para absorver eventuais perdas de produção em outros grandes países produtores ao longo da temporada.

Os investidores também seguem atentos ao comportamento do El Niño. Na semana passada, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para um evento de intensidade forte e não descartou a possibilidade de evolução para um episódio muito forte nos próximos meses.

O fenômeno climático costuma provocar seca e temperaturas elevadas em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, além de favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil, fatores que continuam sendo monitorados por seus potenciais impactos sobre a oferta mundial da commodity.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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