Açúcar fecha em alta e recupera parte das perdas com mercado de olho no clima
As cotações do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (1º) em alta nas principais bolsas internacionais. O mercado voltou a precificar os riscos climáticos para a safra global, especialmente diante das preocupações com o avanço do fenômeno El Niño e seus possíveis impactos sobre grandes produtores da commodity.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho fechou cotado a 14,45 cents por libra-peso, valorização de 39 pontos. O vencimento outubro avançou 40 pontos e encerrou o pregão a 14,94 cents por libra-peso.
Em Londres, os ganhos foram mais expressivos. O contrato agosto do açúcar branco subiu 1.180 pontos e terminou o dia negociado a US$ 450,00 por tonelada. Já o contrato outubro avançou 1.020 pontos, fechando a US$ 444,50 por tonelada.
Clima segue no radar dos investidores
O principal fator de sustentação das cotações continua sendo a preocupação com o comportamento do clima nos próximos meses. O mercado acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre importantes regiões produtoras de açúcar, cenário que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir a oferta global da commodity.
As atenções se voltam especialmente para a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Recentemente, o serviço meteorológico do país revisou para baixo a previsão de chuvas para a temporada de monções, aumentando as incertezas sobre o potencial produtivo da safra 2026/27.
Além da Índia, os investidores monitoram possíveis impactos sobre Brasil e Tailândia, países que também desempenham papel fundamental no abastecimento global do mercado.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de permanência do fenômeno ao longo dos próximos meses.
Produção brasileira continua como fator de pressão
Apesar da recuperação observada nos últimos pregões, o mercado segue encontrando resistência no avanço da oferta brasileira.
Dados divulgados recentemente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar do Centro-Sul atingiu 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O aumento da produção reforça a percepção de maior disponibilidade da commodity no mercado internacional e continua atuando como contraponto aos riscos climáticos que sustentam as cotações.
Com isso, o mercado segue dividido entre a perspectiva de uma oferta mais robusta no Brasil e as incertezas relacionadas ao clima em importantes regiões produtoras ao redor do mundo.