Açúcar é encontrado no espaço pela primeira vez e reforça teoria sobre a origem da vida

Publicado em 16/07/2026 16:02
Pela primeira vez, cientistas identificaram um açúcar verdadeiro no meio interestelar. A detecção da eritrulose em uma nuvem próxima ao centro da Via Láctea indica que moléculas essenciais à vida podem ter sido formadas no espaço e transportadas para a Terra por asteroides e cometas.

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Uma descoberta inédita pode ajudar a responder uma das maiores perguntas da ciência: como a vida surgiu na Terra. Pela primeira vez, pesquisadores identificaram um açúcar verdadeiro no espaço interestelar, evidência que reforça a hipótese de que moléculas essenciais para o surgimento da vida podem ter sido produzidas antes mesmo da formação dos planetas. O estudo foi publicado na revista científica Nature Astronomy.

O composto identificado é a eritrulose, um açúcar de quatro átomos de carbono pertencente ao grupo das cetoses. Até então, açúcares complexos já haviam sido encontrados em meteoritos e asteroides, mas nunca diretamente no meio interestelar, a vasta região composta por gás e poeira entre as estrelas.

Segundo os pesquisadores, trata-se do açúcar mais complexo já detectado nesse ambiente, um marco para a astroquímica e para os estudos sobre a origem da vida.

Descoberta surpreendeu os cientistas

Até agora, os pesquisadores haviam identificado no espaço apenas compostos mais simples, como o glicolaldeído, que possui dois átomos de carbono e apresenta características semelhantes às dos açúcares, mas não é considerado um açúcar verdadeiro.
Quimicamente, um açúcar precisa possuir uma cadeia com pelo menos três átomos de carbono. A eritrulose, com quatro carbonos, supera esse requisito e representa a primeira evidência direta de que açúcares podem ser sintetizados naturalmente no meio interestelar.

O resultado chamou ainda mais atenção porque estudos anteriores buscavam encontrar açúcares menores, com três carbonos, sem sucesso.

"Esta é a primeira vez que um açúcar é detectado no espaço interestelar. Isso indica que esses compostos podem ser muito mais comuns no Universo do que imaginávamos", destacou Izaskun Jiménez-Serra.

Outro dado considerado inesperado foi a abundância da molécula. Segundo o estudo, a eritrulose foi encontrada em quantidade semelhante à do glicolaldeído e, no mínimo, oito vezes superior à estimada para açúcares de três carbonos, que sequer foram detectados nessa nuvem molecular.

Além disso, os pesquisadores afirmam que a eritrulose é a maior molécula orgânica não cíclica já identificada no meio interestelar, a primeira contendo quatro átomos de oxigênio e apenas a segunda molécula quiral detectada fora do Sistema Solar.

Como o açúcar se forma no espaço

Os modelos apresentados pela equipe indicam que a eritrulose provavelmente se forma sobre minúsculos grãos de poeira interestelar extremamente frios.

Nessas superfícies, moléculas mais simples, como glicolaldeído e etilenoglicol, reagem lentamente ao longo de milhões de anos, dando origem a compostos mais complexos.

Durante a formação de sistemas planetários, esses grãos podem ser incorporados a cometas e asteroides, que posteriormente transportam essas moléculas para planetas jovens por meio de colisões.
Segundo os autores, o mecanismo é altamente eficiente e ajuda a explicar a presença da eritrulose em concentrações superiores às previstas pelos modelos anteriores.

O que a descoberta significa para a origem da vida

O estudo fortalece uma das principais hipóteses da astrobiologia moderna: a de que muitos dos blocos fundamentais da vida não surgiram exclusivamente na Terra, mas foram produzidos no espaço e entregues ao planeta por corpos celestes durante o intenso bombardeio de asteroides ocorrido há cerca de 4 bilhões de anos.

Pesquisas anteriores já haviam encontrado aminoácidos, nucleobases e açúcares em meteoritos e no asteroide Bennu. Agora, pela primeira vez, os cientistas observaram um açúcar sendo produzido diretamente no ambiente onde estrelas e planetas se formam.

Segundo os autores, milhões de toneladas de moléculas orgânicas semelhantes podem ter alcançado a Terra primitiva, fornecendo matéria-prima para as reações químicas que culminaram no surgimento do RNA e, posteriormente, do DNA.

Embora a descoberta não represente uma evidência direta da existência de vida fora da Terra, ela amplia significativamente o entendimento sobre como compostos orgânicos complexos podem surgir naturalmente no Universo e reforça a ideia de que os ingredientes essenciais para a vida podem ser muito mais comuns do que se imaginava.
 

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Por:
Notícias Agrícolas
Fonte:
Notícias Agrícolas

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