Açúcar inverte sinal em Nova Iorque e passa a subir nesta 2ª; em Londres, baixas continuam

Publicado em 15/06/2026 12:04
Cotações recuam em Nova York e Londres diante da ampla oferta global, enquanto mercado acompanha os impactos do El Niño sobre a próxima safra

O mercado internacional de açúcar opera com volatilidade na sessão desta segunda-feira (15), refletindo um ambiente de ampla oferta global e realização de lucros após a volatilidade das últimas semanas. E assim, depois de ter testado algumas baixas, voltou a subir, na esteira das demais commodities.

Por volta das 12h10 (horário de Brasília), em Nova York, os principais vencimentos subiam entre 0,1% e 0,5%, como o contrato julho , negociado a 13,77 cents por libra-peso e o  vencimento outubro valendo 14,26 cents por libra-peso. Em Londres, por outro lado, as perdas conitnuam. O contrato agosto do açúcar branco recuava 130 pontos, para US$ 443,30 por tonelada, enquanto o outubro caía 310 pontos, negociado a US$ 435,20,00 por tonelada.

Apesar das preocupações climáticas com o avanço do El Niño e das incertezas sobre a safra asiática, os fundamentos de curto prazo continuam pesando sobre as cotações da commodity. 

Acordo entre EUA e Irã pressiona mercado

O principal fator de pressão sobre as cotações nesta sessão é o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.
Segundo analistas, a perspectiva de normalização do fluxo comercial reduziu parte dos prêmios de risco que vinham sustentando os preços das commodities nas últimas semanas.

De acordo com a consultoria Covrig Analytics, o fechamento do Estreito de Ormuz restringia cerca de 6% do comércio mundial de açúcar. Com a expectativa de retomada gradual da navegação na região, o mercado passou a precificar um cenário de maior fluidez logística e comercial.

Segundo informações divulgadas pela agência iraniana Mehr, a previsão é que a reabertura completa do estreito ocorra em até 30 dias.

Clima na Índia limita pressão baixista

Apesar do movimento de queda, os preços encontram algum suporte nas preocupações climáticas envolvendo a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.

Dados do Departamento Meteorológico da Índia mostram que o volume acumulado das chuvas de monção estava 26% abaixo da média histórica até 12 de junho. A temporada de monções, fundamental para a agricultura do país, ocorre entre junho e setembro.

A redução das precipitações eleva as preocupações com a produtividade da cana-de-açúcar e com a oferta futura da commodity.

El Niño segue no radar

Os investidores também continuam acompanhando os possíveis impactos do El Niño sobre as principais regiões produtoras de açúcar do mundo.

Na última semana, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente a formação do fenômeno e indicou 63% de probabilidade de que ele alcance intensidade muito forte nos próximos meses.

Historicamente, o El Niño tende a reduzir as chuvas em áreas produtoras do Brasil, da Índia e da Tailândia. Na Índia, inclusive, a previsão para a temporada de monções já foi revisada de 92% para 90% da média histórica.

Mercado monitora possível déficit global

Outro fator de sustentação para as cotações é a recente revisão do balanço global de açúcar realizada pela consultoria Czarnikow.

A empresa passou a projetar déficit de 100 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a estimativa anterior de superávit de 1,4 milhão de toneladas. A mudança reflete a expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras, favorecida pelos preços mais elevados do petróleo, o que pode reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.

Mesmo diante da pressão exercida pela ampla oferta atual, os agentes seguem atentos aos riscos climáticos e às mudanças no mix de produção das usinas, fatores que podem alterar significativamente o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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