Açúcar reage e fecha em alta após preocupação com safra da Índia ganhar força no mercado

Publicado em 16/06/2026 16:10 e atualizado em 16/06/2026 16:52
Déficit de chuvas durante as monções indianas e riscos associados ao El Niño impulsionam as cotações, apesar da pressão exercida pela queda do petróleo.

Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (16) em alta nas principais bolsas internacionais, impulsionados pelo aumento das preocupações climáticas sobre a oferta global da commodity. O mercado acompanha o atraso das monções na Índia e a confirmação do El Niño, fenômeno que eleva os riscos de seca em importantes regiões produtoras e pode comprometer o potencial produtivo da próxima safra. 

Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou com valorização de 14 pontos, cotado a 13,82 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrou forte alta de 750 pontos, encerrando o dia a US$ 449,90 por tonelada.

O mercado encontrou suporte nos dados climáticos da Índia. De acordo com o Departamento Meteorológico do país, o acumulado de chuvas estava 32% abaixo da média histórica até o dia 15 de junho. Como o período de monções, que vai de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar, o déficit hídrico elevou as preocupações dos investidores em relação à produção da próxima safra.

As cotações chegaram a operar em queda durante parte do pregão. Em Nova Iorque, os contratos atingiram os menores níveis em quase dois meses, pressionados pelo forte recuo do petróleo. O contrato WTI caiu mais de 5% e alcançou a mínima dos últimos três meses e meio.

A desvalorização do petróleo reduz a competitividade do etanol, aumentando a expectativa de que usinas ao redor do mundo direcionem uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar. Esse movimento tende a elevar a oferta global da commodity, fator que normalmente pesa sobre os preços.

El Niño reforça preocupação com a oferta global

Além das questões envolvendo as monções indianas, o mercado segue monitorando os impactos do El Niño sobre as principais regiões produtoras de açúcar do mundo.

Recentemente, a Agência Meteorológica do Japão confirmou a formação do fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial. Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta elevada probabilidade de fortalecimento do evento nos próximos meses.
Historicamente, o El Niño está associado à redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.

Na Índia, inclusive, a previsão oficial para o volume de precipitação durante a temporada de monções já foi reduzida de 92% para 90% da média histórica.

As preocupações climáticas ganham ainda mais relevância diante das projeções para o balanço global da commodity. Na semana passada, a consultoria Czarnikow revisou sua estimativa para a safra 2026/27, passando de um excedente de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.

Segundo a consultoria, a mudança reflete a expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras, o que pode reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.

Mercado interno segue pressionado

Enquanto o mercado internacional encontra suporte nos riscos climáticos, o cenário doméstico permanece marcado pela ampla oferta.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do açúcar cristal branco seguem enfraquecidas no mercado paulista, em um ambiente de baixa liquidez.

Os pesquisadores destacam que muitos compradores permanecem afastados das negociações, apostando em novas quedas de preços diante da elevada disponibilidade de produto neste início da safra 2026/27. A combinação entre oferta abundante e demanda mais cautelosa continua limitando reações mais consistentes nas cotações do mercado físico brasileiro.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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