Açúcar ganha força com seca na Índia e forte queda na produção brasileira
Os preços do açúcar fecharam em alta nesta quarta-feira (17) nas principais bolsas internacionais, sustentados pelas preocupações com a safra da Índia e pelos impactos climáticos que podem afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo.
Em Nova Iorque, o contrato julho avançou 3 pontos, negociado a 13,85 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco subiu 230 pontos, para US$ 452,20 por tonelada.
O mercado registra o segundo pregão consecutivo de valorização. O principal fator de suporte vem da Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada chuvosa estava 32% abaixo da média histórica até o dia 15 de junho.
A temporada de chuvas, fundamental para o desenvolvimento das lavouras indianas, ocorre entre junho e setembro. O cenário aumenta as preocupações sobre o potencial produtivo da próxima safra e reduz as expectativas de oferta global da commodity.
El Niño reforça incertezas sobre a produção global
As preocupações climáticas ganharam força após a confirmação do fenômeno El Niño. O evento climático costuma provocar redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.
Apesar da recuperação recente dos preços, o mercado segue atento ao comportamento do petróleo. Na terça-feira, o açúcar chegou a renovar mínimas de quase dois meses em Nova Iorque após a forte queda do petróleo bruto, que acumulou perdas superiores a 15% na semana.
Com combustíveis mais baratos, o etanol perde competitividade, o que pode incentivar usinas ao redor do mundo a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global.
Produção brasileira decepciona mercado
No Brasil, os dados mais recentes do Ministério da Agricultura também contribuíram para o movimento de sustentação das cotações.
A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 41,23 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, volume 12,9% inferior ao registrado no mesmo período da safra passada.
Já a produção de açúcar somou 2,19 milhões de toneladas, queda de 24,8% na comparação anual e resultado abaixo das expectativas do mercado. Levantamento da S&P Global Energy apontava produção próxima de 2,4 milhões de toneladas.
Entre os fatores que explicam o desempenho estão as chuvas acima da média em regiões produtoras de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que dificultaram os trabalhos de campo e o processamento da matéria-prima.
Além disso, as usinas seguem ampliando a produção de etanol. Na segunda metade de maio, a fabricação total do biocombustível cresceu 1,8%, para 2,1 bilhões de litros. O etanol hidratado avançou 5,7%, enquanto o anidro registrou recuo de 4,4%.