Açúcar sobe em NY e Londres com temor de déficit global e restrições da Índia
As cotações do açúcar registram alta nesta terça-feira (19) nas principais bolsas internacionais, sustentadas pelas preocupações com uma possível redução da oferta global na safra 2026/27, os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño e das restrições às exportações da Índia.
Em Nova Iorque, o contrato julho da commodity era negociado a 15,04 cents por libra-peso, com alta de 31 pontos por volta das 12h (horário de Brasília). O movimento outubro registrava avanço de 28 pontos, vendido a 15,49 cents por libra-peso.
As cotações de Londres também operavam em alta. O contrato agosto era vendido a US$ 442,60 por tonelada, avanço de 610 pontos. Já o outubro subia 560 pontos, negociado a US$ 442,50 por tonelada.
O mercado segue repercutindo as projeções da Organização Internacional do Açúcar para a safra 2026/27. A entidade estima que a produção global recue para 180 milhões de toneladas no próximo ciclo, queda de 1,1% em relação à temporada anterior. Com isso, o mercado poderá registrar déficit global de aproximadamente 262 mil toneladas.
Segundo a OIA, um possível fortalecimento do fenômeno El Niño pode afetar a produção de açúcar na Índia e na Tailândia, dois dos principais produtores mundiais da commodity.
“A perspectiva para os preços nos próximos três meses é neutra, pois o superávit de 2025/26 é modesto”, avaliou a entidade em relatório.
Biocombustíveis seguem no radar
O mercado também continua atento ao setor de biocombustíveis, especialmente diante da alta recente do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Golfo Pérsico.
A OIA projeta que a produção global de etanol aumente de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros em 2026, impulsionada principalmente pela recuperação da produção brasileira e pela expansão do biocombustível na Índia.
Segundo a entidade, os preços mais altos do petróleo vêm incentivando programas de mistura de etanol à gasolina em diversos países. O Brasil discute ampliação da mistura para E32, enquanto Índia e União Europeia avaliam avanços para E25 e E20, respectivamente.
Mercado acompanha Índia e projeções de déficit
Além das projeções da OIA, os investidores seguem monitorando a decisão da Índia de proibir exportações de açúcar até 30 de setembro, medida adotada para proteger o abastecimento interno.
As estimativas de déficit global também seguem dando sustentação estrutural ao mercado. A Datagro elevou recentemente sua projeção de déficit global de açúcar para 3,17 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante estimativa anterior de 2,26 milhões.
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