Açúcar opera sem direção única com mercado atento ao clima na Índia e à oferta global

Publicado em 26/06/2026 11:49
Déficit de chuvas nas monções indianas, menor produção brasileira e revisão do balanço global seguem no radar dos investidores.

Os preços do açúcar operam sem direção definida nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (26). O mercado continua monitorando os fundamentos da oferta global, com destaque para as condições climáticas na Índia e os dados da safra brasileira, que seguem dando sustentação às cotações.

Por volta das 11h30 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto avançava 51 pontos, negociado a 14,06 cents por libra-peso.

Em Londres, o mercado apresentava comportamento misto. O contrato dezembro/2028 recuava 110 pontos, cotado a US$ 454,50 por tonelada. Já o contrato de maior liquidez registrava alta de 124 pontos, sendo negociado a US$ 445,70 por tonelada.

Os investidores seguem repercutindo as tensões no Estreito de Ormuz, importante corredor para o comércio internacional. A normalização do tráfego marítimo reduz os riscos de interrupções no abastecimento e tende a diminuir os custos de frete, seguros e combustíveis, fator considerado baixista para o mercado do açúcar.

Em contrapartida, as preocupações com a safra da Índia continuam oferecendo suporte aos preços. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções estava 42% abaixo da média histórica até 24 de junho. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.

O período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no segundo maior produtor mundial da commodity. Com isso, o mercado acompanha de perto os possíveis impactos da escassez de chuvas sobre a produção indiana.

No Brasil, os fundamentos também permanecem favoráveis às cotações. Dados da Unica apontam que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 somou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Além da menor produção, o mix das usinas segue mais direcionado ao etanol. A parcela da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% há um ano, enquanto a participação do etanol aumentou para 58,58%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.

Outro fator de sustentação veio da consultoria Czarnikow, que revisou sua estimativa para o balanço global de açúcar da safra 2026/27. A projeção passou de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras.

As atenções do mercado também permanecem voltadas ao fenômeno El Niño, que historicamente está associado à redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a oferta global da commodity.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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