Açúcar opera em baixa diante de perspectivas mais favoráveis para a safra indiana
Os preços do açúcar seguem em queda nas principais bolsas internacionais nesta sexta-feira (24), pressionados pela melhora das chuvas de monção na Índia, fator que reforça as expectativas de uma produção maior no segundo maior produtor mundial da commodity. Apesar do movimento de baixa, a valorização recente do petróleo continua oferecendo sustentação ao mercado ao favorecer a produção de etanol.
Por volta das 10h40 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,60 cents por libra-peso, com queda de 9 pontos. O vencimento março/27 era vendido a 15,49 cents por libra-peso, também com recuo de 9 pontos.
Na Bolsa de Londres, o contrato outubro era comercializado a US$ 459,40 por tonelada, baixa de 400 pontos. Já o contrato dezembro era negociado a US$ 459,50 por tonelada, queda de 10 pontos.
Clima na Índia segue no centro das atenções
O principal fator de pressão sobre o mercado continua sendo a evolução das chuvas de monção na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado de precipitações caiu para 19% abaixo da média até 22 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.
A recuperação das chuvas reduz, ao menos no curto prazo, os temores de perdas na produção de cana-de-açúcar e diminui as preocupações com uma eventual restrição da oferta global. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. O período chuvoso, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da safra.
Petróleo e cenário externo seguem no radar
As perdas do açúcar são parcialmente limitadas pelo comportamento do mercado de energia. Na quinta-feira, o petróleo WTI avançou mais de 7%, movimento que aumenta a competitividade do etanol e pode incentivar usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.
No cenário internacional, os investidores também acompanham o impacto das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que aumentam a aversão ao risco nos mercados financeiros. Além disso, após superar os US$ 100 por barril na véspera, o petróleo passou por realização de lucros nesta sexta-feira, diante das expectativas de uma possível proposta de cessar-fogo no Oriente Médio, reduzindo parte das tensões geopolíticas.
El Niño continua sendo fator de suporte
Mesmo com a melhora recente do clima na Índia, os agentes seguem atentos aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. O fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo a oferta global da commodity nos próximos meses.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos já indicou que o atual episódio de El Niño pode estar entre os mais intensos das últimas décadas, enquanto o serviço meteorológico da Índia reduziu sua previsão para as chuvas da temporada de monções de 92% para 90% da média histórica, reforçando que o comportamento do clima continuará sendo um dos principais direcionadores do mercado.