Açúcar opera em alta nas bolsas, com mercado repercutindo déficit global e cenário climático

Publicado em 29/07/2026 11:52 e atualizado em 29/07/2026 13:49
Revisão da StoneX para maior déficit mundial dá suporte às cotações, enquanto mercado acompanha impactos do El Niño sobre a safra brasileira.

Os preços do açúcar operam em alta nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (29), em um movimento de recuperação após as perdas registradas na sessão anterior. O mercado segue repercutindo a revisão da StoneX para um déficit global maior na safra 2026/27, ao mesmo tempo em que monitora os efeitos do clima sobre a produção nos principais países produtores.

Por volta das 11h40 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque o contrato outubro era negociado a 14,56 cents de dólar por libra-peso, alta de 1 ponto. O contrato março/27 era cotado a 15,45 cents por libra-peso, avanço de 4 pontos.

Na Bolsa de Londres, o contrato outubro do açúcar branco era negociado a US$ 457,60 por tonelada, alta de 80 pontos. Já o contrato dezembro subia para US$ 458,30 por tonelada, avanço de 160 pontos.

Déficit global segue dando sustentação ao mercado

No pregão anterior, o açúcar encerrou em queda, pressionado pela forte desvalorização do petróleo, que reduziu a competitividade do etanol e aumentou as expectativas de maior produção de açúcar pelas usinas.

Apesar disso, as perdas foram limitadas pela revisão das projeções da StoneX para o balanço mundial da commodity. A consultoria elevou sua estimativa de déficit global de açúcar na safra 2026/27 para 1,7 milhão de toneladas, indicando um mercado mais apertado do que o previsto anteriormente.

A expectativa de menor disponibilidade mundial continua oferecendo suporte às cotações e limita movimentos mais intensos de baixa nas bolsas internacionais.

Mercado acompanha clima e perspectivas para a safra

Além do balanço global, os investidores seguem atentos às condições climáticas nos principais países produtores. O comportamento do El Niño permanece no radar por seu potencial de alterar o regime de chuvas e influenciar a produção de açúcar nos próximos meses.

No Brasil, o mercado monitora especialmente os impactos do fenômeno sobre o Centro-Sul, principal região produtora do país.

Mercado interno

No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco continuam oscilando no estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, os compradores seguem cautelosos e aguardam possíveis recuos nas cotações diante da expectativa de aumento da disponibilidade do produto, o que tem mantido os negócios em ritmo pontual.

Ainda de acordo com o Cepea, o El Niño tende a trazer efeitos predominantemente favoráveis ao desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul. A previsão de chuvas mais frequentes durante o segundo semestre pode beneficiar a produtividade tanto na reta final da safra 2026/27 quanto na temporada seguinte.

Por outro lado, o excesso de precipitações pode atrasar os trabalhos de colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), com os impactos mais característicos do fenômeno sendo esperados a partir de setembro.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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