Açúcar opera com movimentos opostos nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira
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Os preços do açúcar operam com movimentos opostos nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (18). Em Nova Iorque, por volta das 12h30 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 17,40 cents por libra-peso, com baixa de 2 pontos. O contrato março de 2027 recuava 3 pontos, cotado a 18,29 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato dezembro era negociado a US$ 509,50 por tonelada, com alta de 900 pontos. Já o contrato março de 2027 avançava 500 pontos, para US$ 515,60 por tonelada.
Mercado busca recuperação após forte queda
O movimento desta sexta-feira ocorre após uma sessão de forte pressão sobre as cotações. Na quinta-feira (17), os preços do açúcar estenderam a queda da última semana e atingiram as menores marcas em três semanas, diante das preocupações com a demanda e da liquidação de posições compradas.
Um dos principais fatores acompanhados pelo mercado foi o volume de açúcar entregue contra o contrato outubro em Londres, que expirou na terça-feira (15). Foram 499.350 toneladas, alta de 91% em relação ao volume entregue no mesmo contrato do ano passado e uma das maiores entregas já registradas para um contrato de outubro.
O movimento aumentou as preocupações sobre a demanda física pelo açúcar e contribuiu para a pressão sobre os preços.
Fundos mantêm posições elevadas
O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos aumentaram em 28.055 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 8 de setembro.
Com isso, as posições líquidas compradas chegaram a 160.551 contratos, o maior volume em quase três anos. Um nível elevado de posições compradas pode ampliar a pressão sobre as cotações caso os investidores decidam reduzir suas posições.
Oferta global continua no radar
Apesar da pressão recente, o mercado ainda acompanha as projeções de uma possível redução da oferta mundial na safra 2026/27.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit global de 200 mil toneladas na próxima temporada, depois de um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. A produção mundial também deverá recuar 1%, para 180,1 milhões de toneladas.
Outras instituições trabalham com déficits maiores. A StoneX estima saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas, enquanto a Covrig Analytics projeta déficit de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas.
Clima e produção seguem como pontos de atenção
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Na Índia, as chuvas de monção acumuladas até 16 de setembro estavam 15% abaixo da média, segundo o Departamento Meteorológico do país. A temporada de monções vai de junho a setembro, e as condições climáticas continuam sendo acompanhadas devido aos possíveis impactos sobre a produção de cana.
O governo indiano também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro, medida que pode ampliar a disponibilidade interna e influenciar o fluxo de comércio internacional.
No Brasil, a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados da Unica. A oferta brasileira e a decisão das usinas sobre a destinação da cana entre açúcar e etanol continuam entre os fatores acompanhados pelo mercado.
As condições climáticas também permanecem no foco dos participantes, especialmente diante das projeções de influência do El Niño sobre importantes regiões produtoras de açúcar.
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