Açúcar avança nas bolsas com preocupações sobre clima na Índia e perspectiva de déficit global

Publicado em 03/08/2026 08:41
Contratos registram alta em Nova Iorque e Londres, sustentados pelas incertezas sobre a monção indiana, pelos riscos do El Niño e pelas projeções de um mercado global deficitário na safra 2026/27.

As cotações do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (3), impulsionadas pelas incertezas climáticas na Índia e pelas projeções de um mercado global mais apertado na safra 2026/27. A possibilidade de chuvas abaixo da média durante o restante da temporada de monções no segundo maior produtor mundial reforça as preocupações com a oferta da commodity, enquanto estimativas de déficit global seguem dando sustentação aos preços.

Por volta das 8h40 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 14,89 cents de dólar por libra-peso, com alta de 23 pontos. O contrato março/27 era vendido a 15,77 cents por libra-peso, avanço de 24 pontos.

Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro era comercializado a US$ 471,90 por tonelada, alta de 990 pontos. O contrato dezembro era negociado a US$ 469,10 por tonelada, com valorização de 760 pontos.

Clima na Índia volta ao centro das atenções

O mercado encontrou suporte principalmente nas incertezas relacionadas ao clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro devem ficar abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra também mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.

Apesar da melhora recente nas precipitações, o comportamento das chuvas continua sendo monitorado pelos investidores. Até 31 de julho, o acumulado das monções apresentava déficit de 13% em relação à média histórica, uma recuperação importante frente ao déficit de 42% registrado no fim de junho.

Essa melhora nas chuvas chegou a pressionar as cotações nos últimos dias ao elevar as expectativas de uma safra maior na Índia. Na última quinta-feira, os contratos em Nova Iorque chegaram a testar a mínima de um mês diante da perspectiva de maior oferta da commodity.

El Niño mantém preocupação com a oferta

Além das condições climáticas na Índia, o mercado segue atento aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. O fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo a produtividade dos canaviais e restringindo a oferta global.

No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o El Niño formado no Oceano Pacífico Equatorial pode se tornar um dos episódios mais intensos das últimas décadas. Paralelamente, o serviço meteorológico indiano reduziu sua previsão para as chuvas da temporada de monções, estimando acumulados equivalentes a 90% da média histórica, abaixo dos 92% previstos anteriormente.

Mercado pode migrar para déficit em 2026/27

As perspectivas para o balanço global também seguem sustentando as cotações. Pesquisa da Reuters com 11 operadores e analistas aponta que os contratos futuros do açúcar bruto na ICE devem encerrar o ano próximos de 15 cents de dólar por libra-peso, cerca de 4% acima dos níveis atuais.

Segundo a sondagem, o mercado deverá passar de um superávit estimado em 4,78 milhões de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de aproximadamente 800 mil toneladas em 2026/27.

"Com as perdas relacionadas ao clima já evidentes e as condições adversas no Hemisfério Norte previstas para se intensificarem devido ao El Niño, projeta-se que o balanço global do açúcar passe a apresentar déficit em 2026/27", afirmou Livea Coda, analista da Hedgepoint.

Para o Centro-Sul do Brasil, os participantes da pesquisa estimam produção de 40 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, ligeiramente abaixo das 40,43 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.

Embora a moagem de cana deva crescer para 638 milhões de toneladas, a expectativa é de menor direcionamento da matéria-prima para a fabricação de açúcar. A previsão indica que cerca de 47% da cana será destinada ao adoçante, abaixo dos aproximadamente 50,3% registrados na safra 2025/26, refletindo a maior participação do etanol no mix de produção das usinas.

Para a Índia, a estimativa mediana da pesquisa aponta produção de 29,4 milhões de toneladas de açúcar na próxima safra, acima das 28,1 milhões de toneladas previstas para 2025/26. Já os contratos de açúcar branco em Londres devem encerrar o ano em torno de US$ 479 por tonelada, o que representa potencial de valorização de cerca de 12% em relação ao fechamento do ano anterior.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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