Preocupações com a oferta global sustentam nova alta do açúcar nas bolsas
Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (4) em alta nas principais bolsas internacionais, ampliando os ganhos pela terceira sessão consecutiva. O mercado segue sustentado pelas perspectivas de um déficit global de oferta na safra 2026/27 e pelas preocupações com o clima na Índia, enquanto os contratos renovaram os maiores níveis das últimas semanas.
Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro do açúcar bruto fechou cotado a 15,04 cents de dólar por libra-peso, alta de 3 pontos. Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou o dia a US$ 472,70 por tonelada, avanço de 320 pontos.
O principal fator de sustentação das cotações continua sendo a expectativa de uma oferta global mais restrita. Na segunda-feira, a Covrig Analytics revisou sua projeção para a safra 2026/27, passando a estimar um déficit mundial de 300 mil toneladas, ante a previsão anterior de um superávit de 100 mil toneladas.
Outras consultorias também reforçaram a perspectiva de aperto na oferta. Na semana passada, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit global para 3,3 milhões de toneladas, acima dos 1,76 milhão projetados em junho. Já a StoneX revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, frente aos 550 mil toneladas estimados anteriormente.
Clima na Índia continua no radar
As condições climáticas na Índia seguem entre os principais fatores monitorados pelos investidores. Na última sexta-feira, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção durante agosto e setembro devem ficar abaixo da média. Já o Ministério de Ciências da Terra do país mantém o alerta de que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
Apesar dessa previsão, os dados mais recentes indicam melhora nas precipitações. Até 3 de agosto, o acumulado das chuvas de monção estava 12% abaixo da média histórica, avanço significativo em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho. Esse cenário chegou a pressionar os preços na semana passada, quando os contratos em Nova Iorque atingiram a mínima de cinco meses diante da expectativa de maior produção indiana.
El Niño reforça preocupações com a oferta
O mercado também segue atento aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. A expectativa é de que o fenômeno reduza as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a oferta global.
No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o El Niño poderá ser um dos mais intensos das últimas décadas. Paralelamente, o serviço meteorológico indiano reduziu sua previsão para as chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% projetados anteriormente.
Mercado interno
No mercado físico brasileiro, as cotações do açúcar cristal branco registraram leve alta nos últimos dias no estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado segue com liquidez restrita, enquanto os compradores continuam atuando de forma seletiva.
No cenário climático, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta intensificação do El Niño, com pico previsto entre agosto e outubro de 2026. Para o Centro-Sul do Brasil, as avaliações indicam que as chuvas mais frequentes durante o segundo semestre tendem a favorecer o desenvolvimento dos canaviais e a produtividade. Por outro lado, o excesso de precipitações pode atrasar os trabalhos de colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), fator que continuará sendo acompanhado pelo mercado nas próximas semanas.