Açúcar mantém alta com oferta global mais restrita e clima na Índia no radar

Publicado em 06/08/2026 12:13
Cotações seguem sustentadas por projeções de déficit mundial na safra 2026/27 e incertezas sobre as condições climáticas nos principais produtores.

As cotações do açúcar operam em terreno positivo nesta quinta-feira (6) nas principais bolsas internacionais, dando continuidade ao movimento de valorização observado nas últimas sessões. O mercado segue sustentado pela expectativa de uma oferta global mais apertada na safra 2026/27, além das preocupações com o comportamento do clima na Índia e os possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial.

Na Bolsa de Nova Iorque , por volta das 11h50 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 15,23 cents de dólar por libra-peso, avanço de 8 pontos. O contrato março/27 era vendido a 15,18 cents por libra-peso, alta de 8 pontos.

Em Londres, o contrato outubro do açúcar branco era comercializado a US$ 479,00 por tonelada, alta de 210 pontos. Já o contrato dezembro avançava 160 pontos, negociado a US$ 478,50 por tonelada.

Na quarta-feira (5), os preços do açúcar encerraram o pregão em alta nas principais bolsas internacionais, com o açúcar branco negociado em Londres atingindo o maior nível em quatro semanas. O movimento foi impulsionado pelas perspectivas de menor disponibilidade da commodity no mercado global e pelas incertezas relacionadas ao clima na Índia.

Déficit global sustenta as cotações

Desde que atingiram a mínima de cinco meses na última quinta-feira, os preços do açúcar vêm apresentando recuperação diante de uma série de revisões nas projeções para o balanço mundial da commodity.

Na segunda-feira, a Covrig Analytics passou a estimar um déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão anterior de um superávit de 100 mil toneladas. A Green Pool Commodity Specialists também elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, acima dos 1,76 milhão estimados em junho. Já a StoneX revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante os 550 mil toneladas projetados anteriormente.

Clima na Índia segue no foco

As condições climáticas na Índia continuam entre os principais fatores acompanhados pelo mercado. Na última sexta-feira, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro devem ficar abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra do país também mantém o alerta de que a temporada atual pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.

Apesar disso, os dados mais recentes apontam recuperação gradual das precipitações. Até 5 de agosto, o acumulado das chuvas de monção estava 11% abaixo da média histórica, uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho.

A recuperação das chuvas chegou a pressionar as cotações na semana passada, diante da expectativa de uma produção maior de açúcar no segundo maior produtor mundial. No entanto, a possibilidade de uma temporada de monções mais fraca mantém os investidores atentos aos riscos para a oferta indiana.

O mercado também segue monitorando os possíveis impactos do El Niño sobre as principais regiões produtoras de açúcar. O fenômeno pode reduzir os volumes de chuva no Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a disponibilidade global da commodity.
Mercado interno

No mercado físico brasileiro, as cotações do açúcar cristal branco registraram leve alta nos últimos dias no estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado segue com liquidez restrita, enquanto os compradores continuam atuando de forma seletiva.

No cenário climático, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta intensificação do El Niño, com pico previsto entre agosto e outubro de 2026. Para o Centro-Sul do Brasil, as avaliações indicam que as chuvas mais frequentes durante o segundo semestre tendem a favorecer o desenvolvimento dos canaviais e a produtividade.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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