Açúcar reage em Nova Iorque, mas fecha misto nas bolsas nesta segunda-feira
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Os preços do açúcar fecharam em direções mistas nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (21). Em Nova Iorque, o contrato outubro do açúcar bruto recuperou parte das perdas após atingir uma mínima de três semanas e meia e terminou o pregão com alta de 12 pontos, a 17,48 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro recuou 130 pontos, para US$ 507,50 por tonelada.
A recuperação em Nova Iorque ocorreu após o mercado tocar as menores cotações em três semanas e meia. Segundo as informações de mercado, o fechamento de posições vendidas nos futuros contribuiu para a reação dos preços, em um cenário de valorização do real brasileiro frente ao dólar. O movimento da moeda reduz a atratividade das exportações para produtores brasileiros, ao diminuir a receita obtida em reais com as vendas externas.
Apesar da recuperação desta segunda-feira, o açúcar vinha sofrendo pressão na última semana diante de sinais de demanda mais fraca.
Um dos principais pontos observados pelo mercado foi a entrega de 499.350 toneladas de açúcar referente ao contrato de outubro em Londres, que expirou na semana passada. O volume foi 91% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e esteve entre as maiores entregas já registradas para um contrato de outubro, sinalizando menor demanda física pelo produto.
O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na sexta-feira, mostrou aumento de 791 posições líquidas compradas em açúcar de Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro. Com isso, as posições compradas dos fundos chegaram a 161.342 contratos, o maior nível em quase três anos.
Uma concentração elevada de posições compradas pode ampliar a pressão sobre as cotações caso os investidores decidam reduzir suas posições.
Déficit global volta ao centro das atenções
Apesar das preocupações com a demanda no curto prazo, as perspectivas de oferta para as próximas safras continuam dando sustentação aos preços.
Em 1º de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas para a temporada 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na safra 2025/26.
A entidade prevê produção mundial de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 1% em relação ao ciclo anterior. Para 2025/26, a estimativa é de produção recorde de 182 milhões de toneladas, alta de 3,5%, e superávit de 1,1 milhão de toneladas.
Outras estimativas apontam para um balanço ainda mais apertado. A StoneX projetou déficit de 1,7 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, diante da expectativa de redução do plantio de cana-de-açúcar e beterraba.
Tailândia e Índia no radar
A produção da Tailândia também é acompanhada pelo mercado. A Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção do país em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
Na Índia, as condições das monções continuam sendo um fator de atenção. O Departamento Meteorológico do país informou que o acumulado de chuvas entre junho e setembro estava 15% abaixo da média até 21 de setembro. Apesar da recuperação em relação ao déficit de 42% observado em 30 de junho, a instituição alertou para a possibilidade de a temporada de monções ser uma das mais fracas dos últimos 17 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e, em agosto, autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. A medida chama atenção porque o país normalmente atua como exportador e não registra importações significativas desde a safra 2017/18.
Brasil também influencia as expectativas
No Brasil, a menor produção de açúcar no Centro-Sul é outro fator acompanhado pelos participantes do mercado. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
Para toda a safra 2026/27, o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima produção brasileira de 42,5 milhões de toneladas, queda de 3% em relação ao ciclo anterior.
O clima também permanece entre os principais fatores de risco para a oferta global. As projeções para um El Niño intenso levantam preocupações sobre o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, especialmente Brasil, Índia e Tailândia.
No balanço global, o USDA estima que a produção de açúcar em 2026/27 ficará em 184,854 milhões de toneladas, enquanto o consumo humano deve alcançar 179,991 milhões de toneladas. Os estoques finais são projetados em 44,410 milhões de toneladas.
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