Açúcar fecha semana em forte alta e atinge máximas de até 11 meses com temor de oferta global restrita

Publicado em 07/08/2026 16:37 e atualizado em 07/08/2026 18:21
Quebra na produção no Brasil, perdas na Europa e preocupações com o clima na Índia e os impactos do El Niño impulsionam as cotações nas bolsas internacionais.

Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (7) em forte alta nas principais bolsas internacionais, ampliando os ganhos acumulados ao longo da semana. As cotações foram sustentadas pelas perspectivas de uma oferta global mais restrita, diante da queda na produção em importantes regiões produtoras, como Brasil e Europa, além das incertezas climáticas na Índia. Com isso, o açúcar bruto negociado em Nova Iorque atingiu o maior patamar em 10 meses, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou a maior cotação em 11 meses.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou cotado a 16,45 cents de dólar por libra-peso, alta de 88 pontos. Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou o dia a US$ 503,40 por tonelada, avanço de 165 pontos.

O principal fator de sustentação das cotações continua sendo a expectativa de menor oferta mundial. Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, segundo estimativas da S&P Global Commodity Insights.

Produção brasileira reforça cenário de oferta restrita

No Brasil, maior produtor e exportador mundial de açúcar, os dados divulgados na quinta-feira (6) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também contribuíram para impulsionar o mercado.

Segundo a entidade, a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 26,3% em junho, totalizando 3,903 milhões de toneladas. O resultado reforçou a percepção de menor disponibilidade da commodity no mercado internacional.

Além da redução da produção brasileira, o mercado continua repercutindo as revisões para o balanço mundial de açúcar na safra 2026/27.

Na segunda-feira, a Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas. Na mesma linha, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua previsão de déficit para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX revisou sua estimativa para 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas projetados anteriormente.

As sucessivas revisões fortalecem a percepção de que a oferta global poderá ficar mais apertada ao longo da próxima temporada.

Clima na Índia segue no radar

As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, permanecem entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.

O Departamento Meteorológico da Índia informou na última semana que as chuvas de monção durante agosto e setembro deverão ficar abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra do país também mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.

Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento dos canaviais, qualquer redução nas chuvas pode comprometer a produção e restringir ainda mais a oferta global.

El Niño aumenta preocupação com a safra mundial

Outro fator de sustentação das cotações continua sendo o avanço do El Niño.

A expectativa é de que o fenômeno climático reduza as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a produção mundial de açúcar.

No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o atual episódio de El Niño poderá ser um dos mais intensos das últimas décadas. Paralelamente, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua estimativa para as chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% previstos anteriormente.

Com a combinação de menor produção em grandes origens e projeções de déficit global, o mercado encerrou a semana mantendo um viés positivo, enquanto investidores seguem atentos à evolução do clima e aos próximos indicadores da oferta mundial.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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