Açúcar opera em direções opostas nas bolsas internacionais nesta segunda-feira

Publicado em 10/08/2026 10:49 e atualizado em 10/08/2026 12:46
Nova Iorque mantém alta após máximas recentes, enquanto Londres realiza lucros; mercado segue atento à menor oferta global e ao clima nos principais produtores.

Os preços do açúcar operam em direções opostas nas principais bolsas internacionais nesta segunda-feira (10), após a forte valorização registrada na semana passada. Em Nova Iorque, as cotações seguem sustentadas pelas perspectivas de menor oferta global, enquanto em Londres os contratos recuam em um movimento de ajuste após atingirem os maiores níveis em meses.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), por volta das 10h30 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 16,54 cents de dólar por libra-peso, alta de 9 pontos. O contrato março/27 avançava 13 pontos, cotado a 17,43 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato outubro do açúcar branco era comercializado a US$ 502,30 por tonelada, queda de 110 pontos. O contrato dezembro recuava 80 pontos, negociado a US$ 502,40 por tonelada.

No pregão da última sexta-feira (8), os preços do açúcar ampliaram a forte alta da semana. O contrato em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 10 meses, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou o maior nível em 11 meses.

O movimento foi sustentado principalmente pela perspectiva de uma oferta global mais restrita. Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas, o menor volume em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy.

No Brasil, maior produtor mundial, a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA).

Projeções de déficit reforçam suporte

O mercado também continua repercutindo as revisões nas estimativas para o balanço global de açúcar na safra 2026/27.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit mundial de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

Já a Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX passou a projetar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas anteriormente.

As revisões reforçam a percepção de que a disponibilidade de açúcar poderá ficar mais apertada na próxima temporada.

Clima na Índia continua no radar

As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, também seguem influenciando o mercado.

O Departamento Meteorológico do país informou na última sexta-feira que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro deverão ficar abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra mantém ainda o alerta de que a temporada atual pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.

A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é fundamental para o desenvolvimento dos canaviais. Por isso, a perspectiva de precipitações abaixo da média mantém os investidores atentos aos possíveis impactos sobre a produção indiana.

El Niño aumenta riscos para a oferta

Outro fator acompanhado pelo mercado é o El Niño. A expectativa é de que o fenômeno climático reduza as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.

O possível impacto sobre a produtividade dos canaviais aumenta os riscos para a oferta global e contribui para sustentar as cotações em Nova Iorque, mesmo com a realização observada nesta segunda-feira em Londres.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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