Açúcar fecha em baixa com realização de lucros, mas oferta global preocupa
O mercado internacional de açúcar encerrou a sessão desta quarta-feira (12) em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após os contratos futuros mais próximos atingirem os maiores níveis em cerca de 15 meses. O movimento de baixa foi atribuído à liquidação de posições compradas, em uma sessão marcada também pela realização de lucros após a forte valorização registrada no início do pregão.
Em Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro caiu 31 pontos, encerrando a 16,42 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de outubro do açúcar branco recuou 440 pontos, para US$ 506,90 por tonelada.
Apesar da queda no fechamento, o cenário fundamentalista segue dando suporte às cotações. A preocupação com a redução da produção em importantes regiões produtoras, principalmente em razão das condições climáticas, tem fortalecido a percepção de uma oferta global mais apertada na temporada 2026/27.
Europa deve ter menor produção em 11 anos
Na União Europeia e no Reino Unido, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar para 14,98 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da S&P Global Energy. Se confirmado, o volume será o menor em 11 anos.
O quadro climático europeu se soma às preocupações com a produção brasileira. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostraram que a fabricação de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu 26,3% em junho, na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas.
Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, uma redução na produção da principal região canavieira do país tende a reforçar as preocupações sobre a disponibilidade global da commodity.
Déficit global ganha força
As perspectivas de um balanço mais apertado para o açúcar também têm sustentado a valorização observada em agosto. Diferentes consultorias vêm revisando para baixo suas estimativas para a oferta mundial na temporada 2026/27.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas, contra um superávit de 100 mil toneladas estimado anteriormente, em junho.
A Green Pool Commodity Specialists também ampliou sua previsão de déficit, de 1,76 milhão de toneladas para 3,3 milhões de toneladas. Já a StoneX elevou sua estimativa de déficit de 550 mil toneladas, em maio, para 1,7 milhão de toneladas.
A Czarnikow, por sua vez, revisou em junho sua projeção de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados está a maior destinação de cana para a produção de etanol pelas usinas brasileiras, em um cenário de preços mais elevados do petróleo.
El Niño aumenta preocupação com oferta
O clima também permanece no radar dos participantes do mercado. A possibilidade de um El Niño mais intenso aumenta as preocupações sobre a produção de açúcar em países como Brasil, Índia e Tailândia, importantes produtores mundiais.
O fenômeno tende a alterar o regime de chuvas nessas regiões, aumentando os riscos de períodos mais secos em áreas produtoras. As projeções climáticas, portanto, passaram a ser acompanhadas de perto pelo mercado diante do potencial impacto sobre a oferta da commodity.
Monções na Índia preocupam mercado
Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o comportamento das monções também contribui para o cenário de cautela. O Departamento Meteorológico do país avalia que as chuvas durante agosto e setembro devem ficar abaixo da média.
A previsão de precipitação acumulada para o período de junho a setembro foi reduzida para 90% da média de longo prazo, ante os 92% estimados anteriormente.
Até 10 de agosto, as chuvas acumuladas da temporada de monções estavam 12% abaixo do normal, uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho. Ainda assim, a irregularidade das precipitações mantém as atenções voltadas para o desenvolvimento da safra indiana e para os possíveis impactos sobre o balanço global de açúcar.