Açúcar volta a subir nas bolsas internacionais nesta quinta-feira
Os preços do açúcar retomam o movimento positivo nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (14), em um movimento de recuperação após a queda registrada na sessão anterior. As cotações seguem sustentadas pelas perspectivas de uma oferta global mais restrita na safra 2026/27, diante de revisões nas estimativas de déficit, da menor produção brasileira e das preocupações climáticas em importantes regiões produtoras.
Por volta das 11h50 (horário de Brasília), o contrato outubro em Nova Iorque era negociado a 16,61 cents por libra-peso, alta de 19 pontos. Já o contrato março/27 avançava 16 pontos, a 17,60 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato outubro subia 620 pontos, a US$ 513,20 por tonelada. O contrato dezembro era comercializado a US$ 511,40 por tonelada, alta de 640 pontos.
Recuperação após realização de lucros
Na véspera, o mercado internacional de açúcar encerrou em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após os contratos mais próximos atingirem os maiores níveis em cerca de 15 meses.
A baixa foi associada principalmente à liquidação de posições compradas e à realização de lucros depois da forte valorização acumulada nas sessões anteriores.
Europa deve ter menor produção em 11 anos
Na União Europeia e no Reino Unido, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar para 14,98 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da S&P Global Energy. Se confirmado, o volume será o menor em 11 anos.
O cenário europeu se soma às preocupações com a produção brasileira. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a fabricação de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu 26,3% em junho, na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas.
Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial da commodity, a queda na fabricação reforça as preocupações com a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
Déficit global ganha força
As perspectivas de um balanço mundial mais apertado também continuam dando sustentação às cotações. Diferentes consultorias revisaram suas estimativas para a oferta global na safra 2026/27.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists ampliou sua projeção de déficit de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. Já a StoneX elevou sua estimativa de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas.
A Czarnikow também revisou seu balanço, passando de uma previsão de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados está o maior direcionamento de cana para a produção de etanol pelas usinas brasileiras.
El Niño mantém clima no radar
As condições climáticas também seguem entre os principais fatores monitorados pelos participantes do mercado. A possibilidade de um El Niño mais intenso aumenta as preocupações com a produção de açúcar em importantes países produtores, como Brasil, Índia e Tailândia.
O fenômeno pode alterar os padrões de precipitação nessas regiões e elevar os riscos para o desenvolvimento dos canaviais, especialmente em áreas onde a oferta de chuvas é determinante para a produtividade.
Monções na Índia continuam sendo acompanhadas
Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o comportamento das chuvas de monção também permanece no radar dos investidores.
O Departamento Meteorológico do país avalia que as precipitações durante agosto e setembro devem ficar abaixo da média. A previsão para o acumulado da temporada, de junho a setembro, foi reduzida para 90% da média de longo prazo, ante os 92% estimados anteriormente.
Até 10 de agosto, as chuvas acumuladas estavam 12% abaixo do normal, uma melhora expressiva em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho.