Açúcar opera misto nas bolsas internacionais nesta quarta-feira

Publicado em 26/08/2026 12:28
Nova Iorque registra leve alta após a forte queda do pregão anterior, enquanto Londres mantém pressão diante das incertezas sobre a demanda indiana e o mercado de petróleo

As cotações do açúcar operam em direções opostas nesta quarta-feira (26) nas bolsas internacionais, em um movimento de recuperação parcial em Nova Iorque após a forte queda registrada no pregão anterior. Em Londres, os preços seguem pressionados, com o mercado ainda avaliando as perspectivas de menor importação da Índia e os impactos do petróleo sobre a produção de etanol e açúcar.

Na Bolsa de Nova Iorque, por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato de outubro era negociado a 17,36 cents por libra-peso, alta de 9 pontos. Já o contrato março/27 subia 8 pontos, para 18,35 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato de outubro era comercializado a US$ 512,30 por tonelada, com alta de 470 pontos. Já o contrato dezembro recuava 290 pontos, para US$ 511,50 por tonelada.

Índia segue no radar

No pregão anterior, os preços do açúcar fecharam em forte queda, pressionados principalmente pela expectativa de que a Índia importe menos açúcar do que o inicialmente previsto.

A Greenleaf, empresa indiana de análise do setor açucareiro, estima que o país não conseguirá importar mais de 500 mil toneladas até 31 de outubro, metade do limite de 1 milhão de toneladas autorizado pelo governo.

Na última quinta-feira (20), a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida busca ampliar a oferta doméstica e conter os preços diante da expectativa de aumento do consumo durante a temporada de festas.

Como a possibilidade de importação efetiva é menor do que o limite autorizado, o mercado passa a considerar uma demanda adicional mais moderada por açúcar no mercado internacional, reduzindo parte do suporte às cotações.

Além disso, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) afirmou que não há escassez de açúcar na Índia e que os estoques são suficientes para atender ao aumento esperado da demanda durante a temporada de festivais.

A entidade projeta ainda que a produção indiana de açúcar em outubro alcance 1 milhão de toneladas, acima dos níveis considerados normais, entre 300 mil e 400 mil toneladas.

Petróleo influencia relação entre açúcar e etanol

A queda do petróleo também permanece entre os fatores observados pelos investidores.

Na terça-feira, os preços do petróleo bruto recuaram cerca de 3%, atingindo o menor nível em uma semana. A desvalorização reduz a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis e pode influenciar a decisão das usinas sobre o destino da cana-de-açúcar.

Com o etanol menos atrativo, aumenta a possibilidade de maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação de açúcar, elevando potencialmente a disponibilidade da commodity no mercado internacional.

Oferta global continua no radar

Apesar da pressão recente, o mercado ainda acompanha as perspectivas de uma oferta global mais restrita nas próximas safras.
Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto Londres chegou ao maior nível em 17 meses.

Desde então, as cotações passaram por uma correção após os ganhos expressivos.
As estimativas de déficit global, no entanto, continuam dando suporte ao mercado no médio prazo.

A Covrig Analytics projeta déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas. A Green Pool Commodity Specialists estima déficit de 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX prevê saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas.

A Czarnikow, por sua vez, revisou sua projeção de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas em 2026/27, em parte devido ao maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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