Açúcar fecha em forte queda com menor expectativa de importações pela Índia

Publicado em 03/09/2026 16:12
Mercado recua após novas medidas do governo indiano reduzirem a necessidade de compras externas; em Nova Iorque, outubro volta para abaixo de 18 cents por libra-peso

Os preços do açúcar fecharam em forte queda nesta quinta-feira (3), pressionados pela expectativa de que a Índia importe menos açúcar do que o inicialmente previsto. A possibilidade de menor demanda do país pelo produto no mercado internacional ocorre após o governo indiano anunciar medidas para aumentar a oferta interna, enquanto o mercado também corrige parte dos ganhos acumulados nos últimos pregões.

Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou com queda de 63 pontos, a 18,07 cents por libra-peso. Em Londres, o vencimento outubro recuou 126 pontos, encerrando a sessão a US$ 526,60 por tonelada.

Índia reduz estoques permitidos

O governo da Índia reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque de açúcar permitido para os revendedores. A medida terá validade entre 15 de setembro e 20 de novembro e busca aumentar a disponibilidade do produto no mercado interno e conter movimentos especulativos.

Com mais açúcar podendo chegar ao mercado doméstico, cresce a expectativa de que o país tenha uma necessidade menor de recorrer às importações. Essa possibilidade acabou pressionando as cotações internacionais.

Em agosto, a Índia havia autorizado a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro.

O anúncio chamou atenção porque o país é o segundo maior produtor mundial e tradicionalmente exporta açúcar, tendo realizado importações significativas pela última vez na safra 2017/18.

Mercado corrige alta recente

A queda desta quinta-feira ocorre depois de uma sequência de fortes altas. Na quarta-feira (2), o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 16,75 meses, enquanto Londres alcançou o maior nível em uma semana.

O movimento de alta havia sido sustentado principalmente pelas preocupações com a oferta mundial para a safra 2026/27. Na terça-feira, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas para a próxima temporada, depois de estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A perspectiva de uma oferta mais apertada também aparece nas projeções de outras consultorias. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics prevê saldo negativo de 300 mil toneladas.

A StoneX elevou sua previsão de déficit para 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas anteriormente. Já a Czarnikow passou de uma estimativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.

Posição dos fundos aumenta pressão

O mercado também acompanha o posicionamento dos fundos, principalmente em Londres. Dados do Commitment of Traders (COT) mostraram que os fundos aumentaram em 2.830 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar branco na semana encerrada em 25 de agosto.

O volume chegou a 70.766 posições líquidas compradas, o maior nível desde o início da série, em 2011.
Esse elevado volume de posições compradas pode aumentar a pressão sobre os preços em momentos de queda, caso haja uma intensificação das vendas de contratos.

Clima mantém preocupação com a oferta

Apesar da queda desta quinta-feira, os fundamentos relacionados à oferta global continuam no radar.

Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que as chuvas acumuladas da temporada de monções estavam 13% abaixo da média até 2 de setembro. O resultado representa melhora significativa em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, mas ainda mantém preocupações sobre as condições das lavouras.

O Ministério de Ciências da Terra da Índia chegou a alertar que a monção deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.

Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas também devem reduzir a produção. Segundo dados da S&P Global Energy, a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido pode cair para 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos.

Brasil também entra no balanço

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção do Centro-Sul apresentou queda importante. A Unica informou que a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Outro ponto acompanhado pelo mercado é a decisão das usinas sobre o direcionamento da cana entre açúcar e etanol. Uma maior produção de etanol reduz a quantidade de açúcar disponível para exportação e pode contribuir para um cenário global mais apertado.

As condições climáticas também permanecem como fator de risco. A expectativa de um El Niño mais intenso aumenta as preocupações sobre o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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