Açúcar fecha com movimentos opostos em Nova Iorque e Londres, após mínima de três semanas

Publicado em 18/09/2026 16:01 e atualizado em 18/09/2026 17:00
Mercado encerra semana pressionado por preocupações com a demanda e liquidação de posições compradas

Os preços do açúcar fecharam a sessão desta sexta-feira (18) sem direção única nas bolsas internacionais, após atingirem mínimas de três semanas durante o pregão. Em Nova Iorque, o contrato outubro recuou 6 pontos, encerrando a sessão a 17,36 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco avançou 200 pontos, para US$ 508,50 por tonelada.

A semana foi marcada por pressão sobre as cotações, principalmente diante das preocupações com a demanda física e da possibilidade de liquidação de posições compradas por fundos.

Um dos principais fatores acompanhados pelo mercado foi o volume de açúcar entregue contra o contrato outubro em Londres, que expirou na terça-feira (15). Foram 499.350 toneladas, alta de 91% em relação ao registrado no mesmo contrato do ano passado e uma das maiores entregas já observadas para um contrato de outubro.

O volume elevado reforçou as preocupações com a demanda física pelo açúcar e contribuiu para a pressão sobre os preços ao longo da semana.

O posicionamento dos fundos também permanece no radar. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders (COT), os fundos aumentaram em 28.055 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 8 de setembro, chegando a 160.551 contratos, maior volume em quase três anos.

Uma concentração elevada de posições compradas pode ampliar movimentos de venda caso os investidores decidam reduzir sua exposição aos contratos futuros.

Déficit global mantém fundamentos no radar

Apesar da pressão recente, as perspectivas para a oferta mundial continuam trazendo fatores de sustentação para o açúcar.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26. A entidade também prevê queda de 1% na produção mundial, para 180,1 milhões de toneladas.

Outras consultorias trabalham com déficits maiores. A StoneX estima saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics projeta déficit de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas, com produção global estimada em 177 milhões de toneladas.

Tailândia e Índia seguem no foco

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima que a produção de açúcar possa cair 17% em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.

Na Índia, as condições das chuvas de monção também seguem sendo monitoradas. Até 16 de setembro, o acumulado estava 15% abaixo da média, segundo o Departamento Meteorológico do país. A instituição alertou ainda para a possibilidade de a monção deste ano ser a mais fraca em 17 anos.

O governo indiano autorizou, em agosto, a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. A medida pode ampliar a oferta no mercado doméstico e influenciar a necessidade de importações e o fluxo global da commodity.

Brasil também influencia as expectativas

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a Unica informou que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

A produção brasileira e a proporção da cana destinada à fabricação de açúcar ou etanol continuam sendo fatores importantes para as perspectivas de oferta. O comportamento do petróleo também pode influenciar essa relação, já que preços mais elevados do combustível fóssil tendem a favorecer a competitividade do etanol.

O clima permanece como outro ponto de atenção. As perspectivas relacionadas ao El Niño levantam preocupações sobre possíveis impactos nas principais regiões produtoras de açúcar, especialmente Brasil, Índia e Tailândia.

As projeções para a próxima temporada, no entanto, apresentam diferenças entre as instituições. Enquanto a ISO estima produção mundial de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, o USDA projeta 184,854 milhões de toneladas. O órgão norte-americano também prevê consumo global de 179,991 milhões de toneladas e estoques finais de 44,410 milhões de toneladas na temporada.


 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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