Açúcar opera em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta segunda-feira
Os preços do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (21), após uma semana marcada por preocupações com a demanda e liquidação de posições compradas.
Em Nova Iorque, por volta das 12h30 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 17,60 cents por libra-peso, com alta de 24 pontos. O contrato março de 2027 avançava 29 pontos, cotado a 18,53 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco era negociado a US$ 513,40 por tonelada, com alta de 460 pontos. Já o contrato março de 2027 avançava 550 pontos, para US$ 520,40 por tonelada.
Pressão da demanda marcou a semana anterior
Na sexta-feira (18), os preços chegaram a mínimas de três semanas antes de uma recuperação parcial e encerraram a sessão em direções opostas. O movimento negativo ao longo da semana esteve relacionado principalmente às preocupações com a demanda física.
Um dos principais pontos acompanhados pelo mercado foi a entrega de 499.350 toneladas de açúcar referente ao contrato outubro em Londres, que expirou na terça-feira (15). O volume foi 91% superior ao registrado no mesmo contrato do ano passado e está entre as maiores entregas já observadas para um contrato de outubro.
O dado aumentou as preocupações sobre o ritmo da demanda física pela commodity.
O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos ampliaram em 28.055 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar de Nova Iorque na semana encerrada em 8 de setembro. O saldo chegou a 160.551 contratos, maior volume em quase três anos.
Déficit global continua no radar
Apesar da pressão recente, as perspectivas para a oferta mundial seguem como fator importante para o mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
A entidade prevê ainda queda de 1% na produção mundial em 2026/27, para 180,1 milhões de toneladas.
Outras instituições também apontam para um possível déficit. A StoneX estima saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas, enquanto a Covrig Analytics projeta déficit de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas, com produção global estimada em 177 milhões de toneladas.
Produção da Tailândia e clima na Índia
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima que a produção de açúcar possa cair 17% em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Na Índia, as chuvas de monção acumuladas até 16 de setembro estavam 15% abaixo da média, segundo o Departamento Meteorológico do país. A instituição também alertou para a possibilidade de a monção deste ano ser a mais fraca em 17 anos.
O governo indiano autorizou ainda a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. A medida pode ampliar a oferta no mercado doméstico e influenciar o fluxo internacional da commodity.
Brasil também influencia as expectativas
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a Unica informou que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
A oferta brasileira e a decisão das usinas sobre a destinação da cana entre açúcar e etanol continuam sendo acompanhadas pelo mercado. As condições do petróleo também podem influenciar essa relação, já que alterações na competitividade do etanol podem mudar a proporção de cana destinada à produção de cada produto.
O clima permanece como outro ponto de atenção, especialmente diante das perspectivas relacionadas ao El Niño e seus possíveis impactos sobre as principais regiões produtoras de açúcar, entre elas Brasil, Índia e Tailândia.
As estimativas para 2026/27, contudo, apresentam diferenças entre as instituições. A ISO projeta produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, enquanto o USDA estima 184,854 milhões de toneladas. O órgão norte-americano prevê ainda consumo global de 179,991 milhões de toneladas e estoques finais de 44,410 milhões de toneladas.